Decisão judicial determinou abertura de intervenção no contrato com o Consórcio Guaicurus; prefeitura apresentou embargos e aguarda novo posicionamento
A crise no transporte coletivo de Campo Grande ganhou um novo capítulo. Vereadores da Capital estão pressionando a prefeitura para que seja nomeado um interventor no contrato operado pelo Consórcio Guaicurus, responsável pelo serviço de ônibus na cidade.
A cobrança ocorre após decisão judicial que determinou que o município instaure procedimento administrativo de intervenção e designe um responsável para fiscalizar e assumir a gestão do contrato. O prazo estabelecido pela Justiça era de 30 dias.
No entanto, a prefeitura protocolou embargos de declaração pedindo esclarecimentos sobre a aplicação da decisão. Entre os pontos questionados estão se o procedimento administrativo deve ser instaurado antes da nomeação do interventor e a retirada do nome da prefeita do processo, além da exclusão do vereador autor da ação popular.
Denúncias e pressão política
Parlamentares que participaram da CPI do Transporte classificam a situação como inadmissível e defendem uma ação imediata. Eles apontam descumprimento de cláusulas contratuais, redução da frota e precarização do serviço, o que estaria prejudicando diretamente os usuários.
Segundo o vereador Maicon Nogueira, que acompanhou as investigações da comissão, a Capital tem uma das tarifas mais altas do país e opera com frota envelhecida. O contrato prevê idade média de até cinco anos para os ônibus, mas, conforme dados apresentados por ele, a média atual seria de nove anos.
O vereador também destacou que o número de ônibus em circulação teria caído de quase 600 para cerca de 420 veículos, além da redução de linhas e fusão de itinerários. Paralelamente, há pedido judicial para que a tarifa técnica chegue a R$ 7,50.
Maicon afirmou ainda que a CPI apontou irregularidades encaminhadas ao Ministério Público e defendeu que a intervenção permitiria uma auditoria interna para esclarecer os custos da operação e a ausência de renovação da frota.
Relatos de trabalhadores
Além das discussões políticas e judiciais, trabalhadores do consórcio têm relatado condições precárias de trabalho. Entre as denúncias estão atrasos e parcelamentos de verbas rescisórias, comparados por funcionários









