“O que permanece em nós?”, de Wendel Fontes, reúne 21 pinturas e instalação sonora inspirada em lembranças de idosos; visitação é gratuita até 30 de outubro.
Entre lembranças da infância, desejos, angústias e cenas construídas pela imaginação, o artista visual Wendel Fontes propõe uma reflexão sobre aquilo que permanece dentro de cada pessoa mesmo com a passagem do tempo. A exposição “O que permanece em nós?” abre nesta sexta-feira (2), em Campo Grande, reunindo 21 pinturas e uma instalação sonora na Galeria Wega Nery, no Centro Cultural José Octávio Guizzo.
A mostra fica em cartaz até 30 de outubro, com entrada gratuita. A abertura ocorre às 19h, seguida de apresentação musical do duo Vozmecê.
O trabalho reúne cerca de três anos de pesquisa do artista, que utiliza a figura da criança não para representar uma infância idealizada, mas como uma forma de discutir a formação de desejos e angústias que acompanham a vida adulta. “Eu comecei essa pesquisa justamente para questionar o que permanece da infância na nossa vida e como essa infância pode ajudar a gente a elaborar ferramentas para lidar com a vida adulta”, explica Wendel em entrevista ao Café com Blink
Crianças entre brincadeiras e inquietações
Nas pinturas, crianças aparecem brincando, descobrindo e observando o mundo, mas frequentemente estão sozinhas e em momentos de introspecção. As cenas misturam elementos cotidianos e imaginados, com objetos deslocados, perspectivas alteradas e cores marcantes.
A proposta, segundo o artista, é fugir da ideia de que lembrar da infância significa necessariamente voltar a um período feliz e sem conflitos. “Na infância é onde surgem os nossos desejos e também angústias que a gente vai lidar ao longo da nossa vida inteira”, afirma.
Os títulos das obras também fazem parte dessa construção. Frases como “Fazer do ócio ofício”, “Cultivar a densidade dos sonhos” e “Calcule: quanto peso tem um desejo?” funcionam como provocações para quem observa as pinturas. Em vez de apenas identificar cada trabalho, as frases são pensadas pelo artista como portas de entrada para diferentes interpretações.
Árvore leva memórias de idosos para a exposição
Além das pinturas, a exposição apresenta uma instalação sonora que aproxima dois momentos distintos da vida: a infância e a velhice. A obra é formada por uma árvore de aproximadamente 2,5 metros, com latinhas penduradas nos galhos. Inspirada na brincadeira do telefone sem fio, a instalação permite que o visitante coloque uma das latas no ouvido para escutar relatos de pessoas idosas sobre suas próprias infâncias.
Os áudios foram produzidos a partir de entrevistas realizadas pelo artista com participantes do projeto Vida Ativa, da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS). A escolha cria uma espécie de encontro entre diferentes tempos da vida. Enquanto as pinturas apresentam crianças, as vozes vêm de pessoas que carregam décadas de experiências e lembranças. Para ouvir os relatos, o visitante precisa se aproximar e fazer silêncio, retomando justamente uma experiência associada à antiga brincadeira do telefone sem fio.
Exposição também propõe desacelerar
O próprio título da mostra é apresentado como uma pergunta sem resposta única. Para o artista, cada visitante pode encontrar uma resposta diferente a partir das próprias experiências. A proposta é que o público não apenas passe pelas obras, mas permaneça diante delas tempo suficiente para construir suas próprias associações.
“Gostaria de propor esse espaço aos visitantes para desacelerar um pouco e tentar resgatar uma coisa muito preciosa que normalmente deixamos para trás junto com a infância, que é esse olhar para o mundo com curiosidade e desejo de imaginar algo novo”, afirma o artista.
A programação também terá visitas guiadas e oficinas de colagem, pintura e escrita nos sábados 3, 10, 17 e 24 de outubro, das 14h às 17h. As oficinas serão conduzidas pela arte-educadora Letícia Maidana e terão vagas limitadas. As inscrições podem ser feitas pelo Instagram do artista.
A exposição conta ainda com ações de mediação educativa e recursos de acessibilidade, incluindo Libras, audiodescrição das obras por QR Code e materiais audiovisuais com legendas.
Informações
Exposição “O que permanece em nós?” – Wendel Fontes
Período: 2 a 30 de outubro de 2026
Local: Galeria Wega Nery – Centro Cultural José Octávio Guizzo
Endereço: Rua 26 de Agosto, 453, Centro, Campo Grande
Entrada: gratuita
Abertura: 2 de outubro, às 19h, com apresentação musical
Visitas: terça a sexta, das 8h às 20h; sábado, das 8h às 22h; domingo, conforme funcionamento do Teatro Aracy Balabanian
Para assistir a entrevista completa, acesse nosso canal no Youtube









