Câncer de mama: tratamento varia conforme tipo do tumor e características de cada paciente

Oncologista explica por que pacientes com o mesmo diagnóstico podem receber tratamentos diferentes e reforça importância do diagnóstico precoce.

Receber o diagnóstico de câncer de mama não significa que todas as pacientes terão de passar pelo mesmo tratamento. O tipo do tumor, o estágio da doença e as características de cada mulher são fatores que ajudam os médicos a definir a melhor estratégia. Em entrevista ao Café com Blink, a oncologista Cristina Anjos Sampaio explicou que o planejamento começa pela avaliação de até onde a doença se espalhou e pelas condições gerais de saúde da paciente.

Entre os principais tipos estão os tumores que respondem aos hormônios femininos, os que apresentam a proteína HER2 e os chamados triplo-negativos. Cada grupo possui características e opções de tratamento diferentes. Por isso, segundo a médica, não existe uma sequência única que determine se a paciente deve fazer cirurgia, quimioterapia ou outro tratamento primeiro. Em alguns casos, a quimioterapia pode ser indicada antes da cirurgia justamente para avaliar a resposta do tumor e definir os próximos passos.

A especialista também reforçou que quimioterapia não é obrigatória para todas as mulheres com câncer de mama. Quanto mais cedo a doença é identificada, menores podem ser as chances de necessidade de tratamentos mais agressivos. O acompanhamento também mudou nos últimos anos, com medicamentos mais específicos e novas estratégias para controlar os efeitos colaterais. No caso do câncer de mama metastático, os avanços permitiram que algumas pacientes convivam com a doença por muitos anos, transformando casos que antes tinham poucas opções em situações que podem ser acompanhadas como uma condição crônica.

Durante a entrevista, Cristina ainda destacou a importância de conhecer o próprio corpo e procurar atendimento ao perceber qualquer alteração, sem esperar pelo próximo exame de rotina. A médica também desmistificou a ideia de que toda mulher com câncer precisa retirar a mama inteira e lembrou que atualmente cirurgias mais conservadoras são utilizadas sempre que possível. Para quem acabou de receber o diagnóstico, a principal orientação é não tentar resolver tudo de uma vez: o tratamento exige planejamento, acompanhamento de uma equipe especializada e pode ser construído passo a passo.

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