A criação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar os serviços de tapa-buracos em Campo Grande avançou na Câmara Municipal. Até terça-feira (13), o requerimento apresentado pela vereadora Luiza Ribeiro (PT) reunia sete assinaturas, mas ainda precisava do apoio de outros três parlamentares para alcançar o número mínimo exigido.
A proposta busca apurar possíveis irregularidades nos contratos e na execução dos serviços, além de investigar a falta de respostas do Executivo às reclamações da população e a redução dos investimentos destinados à manutenção das vias urbanas.
Como a Câmara Municipal de Campo Grande tem 29 vereadores, é necessário o apoio de pelo menos um terço dos parlamentares para instaurar uma CPI. Isso significa que o requerimento precisa de, no mínimo, dez assinaturas.
Além de Luiza Ribeiro, assinaram o documento os vereadores Jean Ferreira, Landmark, Marquinhos Trad, Maicon Nogueira, André Salineiro e Veterinário Francisco.
A proposta prevê prazo inicial de 120 dias para a investigação, com definição dos fatos apurados, composição da comissão e conclusão dos trabalhos conforme os procedimentos regimentais.
Investigação envolve contratos e investimentos
Entre os pontos apresentados no requerimento estão possíveis falhas na manutenção das ruas, prejuízos provocados pelas condições das vias e suspeitas de irregularidades na execução dos serviços.
O documento também aponta que, das 24.673 indicações encaminhadas pelos vereadores ao Executivo no primeiro semestre de 2026, quase 9 mil estavam relacionadas à operação tapa-buracos.
Outro dado citado é a redução dos investimentos previstos para o projeto de Modernização e Requalificação das Vias Urbanas. Segundo o requerimento, os valores passaram de mais de R$ 132 milhões em 2025 para pouco mais de R$ 40 milhões em 2026, uma queda próxima de 70%.
O pedido de CPI também menciona investigações do Ministério Público de Mato Grosso do Sul relacionadas aos serviços de tapa-buracos na Capital.
Entre os casos citados está a Operação Buraco Sem Fim, que apurou suspeitas de irregularidades em contratos, incluindo possíveis problemas nas medições dos serviços e pagamentos por obras parcialmente executadas ou não realizadas. O requerimento também menciona o acompanhamento do tema pelo Tribunal de Contas do Estado.
A abertura da CPI, no entanto, não representa uma conclusão sobre a existência de irregularidades ou a responsabilidade de pessoas envolvidas. A finalidade da comissão será reunir informações e apurar os fatos.
O vereador André Salineiro defendeu a investigação e cobrou transparência nos novos contratos anunciados pela Prefeitura, que somam R$ 46,3 milhões. A administração municipal também anunciou a ampliação das equipes de trabalho, com capacidade operacional prevista para chegar a até 3 mil reparos por dia.
Já o vereador Veterinário Francisco cobrou a execução dos serviços em bairros como o Coophasul, onde, segundo ele, moradores aguardam atendimento para problemas nas ruas.
Enquanto o requerimento não alcança as dez assinaturas necessárias, a criação da comissão depende da adesão de mais vereadores. O objetivo apresentado pelos parlamentares favoráveis à proposta é esclarecer como os recursos públicos são utilizados e por que as reclamações sobre as condições das vias continuam sendo registradas na Capital.
Com informações do Correio do Estado








