Trump diz que EUA estruturam acordo estratégico sobre a Groenlândia
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta quarta-feira (21), durante o Fórum Econômico Mundial em Davos, que o governo americano avançou na construção de um possível acordo relacionado à Groenlândia, território autônomo ligado à Dinamarca. Apesar do anúncio, poucos detalhes sobre o conteúdo das conversas foram divulgados.
Segundo Trump, a proposta foi discutida com o secretário-geral da Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte), Mark Rutte, e prevê um entendimento que afasta, ao menos por ora, a imposição de novas tarifas contra países europeus que se posicionaram contra as ambições americanas sobre a ilha. O presidente também afirmou que o uso de força militar para assumir o controle da Groenlândia está descartado.
A sinalização foi bem recebida por lideranças europeias, incluindo autoridades dinamarquesas, e teve reflexo positivo nos mercados dos Estados Unidos. O anúncio ocorreu poucas horas depois de parlamentares europeus terem barrado a votação de um acordo comercial entre EUA e União Europeia, firmado no ano passado em meio a ameaças tarifárias.
Trump informou ainda que figuras centrais do seu governo devem conduzir as negociações, entre elas o vice-presidente JD Vance, o secretário de Estado Marco Rubio e o enviado especial Steve Witkoff.
Pontos em discussão no possível acordo
De acordo com fontes ouvidas pela imprensa internacional, a estrutura do entendimento envolve a revisão do tratado firmado em 1951 entre Estados Unidos e Dinamarca, que autorizou a presença militar americana na Groenlândia por tempo indeterminado. A renegociação pode abrir espaço para a ampliação de bases militares dos EUA na região, considerada estratégica do ponto de vista geopolítico.
Trump classificou o possível acordo como um entendimento de longo prazo, com validade indefinida, e afirmou que ele colocaria todas as partes em uma “posição favorável”. Já Mark Rutte declarou que a soberania da Dinamarca sobre a Groenlândia não foi colocada em debate durante as conversas.
Influência de Rússia e China no debate
Embora os termos ainda não estejam claros, a Otan indicou que um dos focos das negociações é impedir qualquer presença econômica ou militar da Rússia e da China na Groenlândia. A ideia seria reforçar cláusulas que limitem a atuação de potências rivais na região do Ártico.
O presidente da Rússia, Vladimir Putin, afirmou que a situação da Groenlândia não é uma questão direta para Moscou, mas sinalizou apoio indireto à iniciativa americana.
Interesse nos recursos minerais
Outro ponto sensível envolve as reservas minerais da Groenlândia, especialmente os chamados minerais críticos e de terras raras. Trump afirmou que o acordo preliminar inclui direitos relacionados a esses recursos, compartilhados entre os Estados Unidos e a Otan, embora não tenha detalhado os termos.
Apesar de minimizar publicamente a importância dos minerais durante seu discurso em Davos, o presidente americano voltou a citar o tema horas depois, ao afirmar que o futuro acordo envolveria tanto projetos de defesa, como o sistema antimísseis conhecido como “Cúpula Dourada”, quanto o acesso a recursos naturais.
Autoridades do governo americano veem a exploração desses minerais como estratégica para reduzir a dependência global da China, que hoje domina grande parte do mercado de processamento de terras raras. Ainda assim, especialistas apontam que os maiores obstáculos à exploração não são políticos, mas sim as duras condições climáticas e geográficas do Ártico.









