Cientistas brasileiros criam colágeno em laboratório para evitar extinção de jumentos

Foto: Canva

Pesquisadores da Universidade Federal do Paraná (UFPR) desenvolveram uma tecnologia que permite produzir, em laboratório, um colágeno igual ao retirado da pele de jumentos, sem a necessidade de matar os animais.

A descoberta surge como uma alternativa sustentável para atender à indústria de saúde e beleza, especialmente o mercado chinês, que utiliza o colágeno animal na produção do ejiao, uma gelatina tradicional muito valorizada.

Além de atender a essa demanda, a inovação ajuda a proteger os jumentos, que estão ameaçados de extinção no Brasil.

Risco de desaparecimento da espécie

De acordo com dados da FAO e do IBGE, a população de jumentos no Brasil caiu cerca de 94% entre 1996 e 2024. Isso significa que, a cada 100 animais que existiam há 30 anos, restam hoje apenas seis.

Segundo a pesquisadora Patricia Tatemoto, coordenadora do estudo, o principal motivo dessa queda é o abate intensivo dos animais para a extração de colágeno. O mercado do ejiao movimenta cerca de US$ 1,9 bilhão e pode crescer ainda mais nos próximos anos.

Como o colágeno é produzido em laboratório

A tecnologia criada pelos cientistas utiliza um método chamado fermentação de precisão, já usado em outras áreas da biotecnologia.

O processo funciona assim: o DNA responsável pela produção do colágeno do jumento é inserido em uma levedura. Esse micro-organismo passa a produzir a proteína dentro de biorreatores, de forma parecida com a fabricação de cerveja.

Entre as vantagens estão a alta qualidade do colágeno, a redução do impacto ambiental e o fim da necessidade de criação e abate de animais. Segundo a professora Carla Molento, o laboratório já superou as fases mais difíceis do projeto e agora trabalha para transformar a levedura em uma verdadeira biofábrica.

Próximas etapas do projeto

As pesquisas em laboratório foram concluídas em 2025. Agora, a equipe busca cerca de US$ 2 milhões para ampliar a produção e testar a tecnologia em escala industrial.

A expectativa é produzir as primeiras amostras completas de colágeno até o final de 2026. Caso o financiamento seja confirmado, a produção em escala piloto pode começar em 2027.

O modelo de negócio será voltado para empresas, que poderão usar a tecnologia para fabricar produtos destinados ao mercado internacional.

Menos impacto ambiental

A produção de colágeno em laboratório também traz benefícios ambientais. Em um único espaço com biorreatores, é possível produzir grandes quantidades da proteína, usando menos recursos naturais e gerando menos impactos ao meio ambiente.

O projeto já recebe apoio do Ministério do Meio Ambiente e conta com parceria da Universidade de Wageningen, na Holanda, referência mundial em proteínas alternativas.

Na prática, a tecnologia brasileira mostra que é possível manter um mercado ativo sem colocar uma espécie em risco, unindo ciência, inovação e preservação ambiental.

Com base nas informações de sonoticiaboa.com.br

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