Um levantamento sobre a biodiversidade aponta que as aves migratórias em Campo Grande representam cerca de 20% das aproximadamente 400 espécies registradas nas áreas urbana e periurbana da capital de Mato Grosso do Sul.
Os dados ganham destaque às vésperas da 15ª Conferência das Partes da Convenção sobre Espécies Migratórias, que será realizada entre os dias 23 e 29 de março de 2026 na cidade.
Conhecida como Capital Morena, Campo Grande é considerada um importante refúgio para aves devido à presença de parques, áreas verdes, cursos d’água e vegetação distribuída por diferentes bairros.
Segundo a pesquisadora e educadora ambiental Maristela Benites, do Instituto Mamede de Pesquisa Ambiental e Ecoturismo, a diversidade de aves migratórias em Campo Grande chama atenção dos pesquisadores.
“Campo Grande tem aproximadamente 400 espécies de aves somente na área urbana e periurbana e podemos afirmar que cerca de 20% delas são migratórias”, explica.
Rotas migratórias passam pela capital
Diversas espécies utilizam a cidade como ponto de parada durante longas rotas migratórias em busca de alimento, clima favorável ou áreas de reprodução.
Entre elas estão aves vindas da América do Norte, conhecidas como migrantes neárticas, que passam pela região principalmente entre agosto e abril.
Espécies como o maçarico, o sovi-do-norte, a águia-pescadora e o falcão-peregrino fazem parte desse grupo.
Também há aves migrantes austrais, que se deslocam dentro da própria América do Sul em busca de temperaturas mais amenas, além de espécies que se reproduzem no Brasil e seguem em direção à Amazônia durante parte do ano.
Importância das áreas verdes
De acordo com especialistas, a presença de árvores, parques e áreas de água é fundamental para manter aves migratórias em Campo Grande, pois esses ambientes oferecem abrigo, descanso e alimento durante as viagens.
Para a gerente de arborização da Secretaria Municipal de Meio Ambiente, Gestão Urbana e Desenvolvimento Econômico de Campo Grande, Dayane Zanela, a arborização urbana tem papel estratégico nesse processo.
Segundo ela, o planejamento urbano com preservação ambiental contribui para manter a cidade como referência na observação de aves e na conservação da biodiversidade.
Debate internacional sobre conservação
A importância ambiental da capital também estará em evidência durante a Organização das Nações Unidas COP15 da Convenção sobre Espécies Migratórias, que reunirá cientistas, governos e organizações ambientais para discutir estratégias de proteção das espécies migratórias.
Entre os temas previstos estão o combate à captura ilegal de animais, a criação de planos de conservação e os impactos das mudanças climáticas sobre a fauna.
Para Maristela Benites, sediar o evento representa uma oportunidade de destacar a biodiversidade regional.
Segundo ela, a conferência coloca Campo Grande no centro das discussões globais sobre conservação ambiental e proteção das espécies migratórias.
Com informações de Diário Digital.









