A fraude na compra de remédios contra câncer é alvo de uma grande investigação em Mato Grosso do Sul e já gerou um prejuízo estimado em R$ 78 milhões aos cofres públicos. O esquema foi revelado durante a operação Operação Oncojuris, realizada por órgãos de controle e segurança.
A ação contou com a participação da Receita Federal do Brasil, do Dracco, do Ministério Público de Mato Grosso do Sul e da Defensoria Pública de Mato Grosso do Sul. Ao todo, foram cumpridos 21 mandados em todo o país, incluindo cinco prisões temporárias — quatro em Campo Grande e uma em Ribas do Rio Pardo.
De acordo com as investigações, a fraude na compra de remédios contra câncer envolvia um esquema sofisticado que utilizava decisões judiciais para liberar recursos públicos. Empresas sem capacidade financeira ou estoque participavam dos processos oferecendo medicamentos com preços abaixo do mercado, influenciando decisões judiciais.
Após a liberação dos valores, grande parte do dinheiro era desviada por meio de taxas e serviços fictícios, que chegavam a ultrapassar 70% do valor pago. Apenas uma pequena parcela era destinada à compra efetiva dos medicamentos.
Outro ponto grave identificado foi a importação irregular dos remédios, muitos sem registro na Anvisa, sem controle de qualidade e sem garantia de segurança. Isso representa risco direto para pacientes em tratamento contra o câncer.
As autoridades também identificaram um padrão suspeito em cerca de 10 mil processos judiciais analisados nos últimos três anos, indicando que o esquema pode ser ainda maior. A fraude na compra de remédios contra câncer segue sendo investigada e novas fases da operação não estão descartadas.
Além do prejuízo financeiro, o caso levanta alerta sobre falhas no sistema de judicialização da saúde, que pode ser explorado por organizações criminosas, prejudicando tanto o sistema público quanto pacientes que dependem desses tratamentos.
Com informações de Correio do Estado









