Estudo indica que Cerrado pode armazenar mais carbono que Amazônia

Foto: Rafael Oliveira/Unicamp

Um estudo científico revelou que o carbono no Cerrado pode estar presente em quantidades maiores do que se imaginava. Pesquisadores descobriram que áreas úmidas do bioma são capazes de armazenar mais carbono do que regiões da Amazônia, ampliando a importância ambiental do ecossistema brasileiro no combate às mudanças climáticas.

A pesquisa foi publicada na revista científica New Phytologist e analisou áreas conhecidas como veredas e campos úmidos no bioma Cerrado.

Segundo o estudo, esses ambientes podem armazenar cerca de 1.200 toneladas métricas de carbono por hectare — até seis vezes mais do que a densidade média encontrada na Amazônia.

A pesquisa foi liderada pela ecóloga Larissa Verona em parceria com cientistas da Universidade Estadual de Campinas, da Universidade Federal de Minas Gerais, do Cary Institute of Ecosystem Studies, do Instituto Max Planck e do Jardim Botânico do Rio de Janeiro.

Carbono acumulado há milhares de anos

Os pesquisadores coletaram amostras de solo em profundidades de até quatro metros para identificar o estoque de carbono no Cerrado. Estudos anteriores analisavam apenas camadas superficiais, o que subestimava os resultados em até 95%.

A análise também mostrou que parte desse carbono é extremamente antigo. Testes de datação por radiocarbono indicam que o material orgânico presente no solo pode ter cerca de 11 mil anos, com registros que ultrapassam 20 mil anos.

Segundo Larissa Verona, a perda desse carbono representaria um impacto ambiental significativo.

“Esse carbono levou muito tempo para se acumular. Se ele for perdido, não podemos reconstruí-lo rapidamente, como ocorre com uma floresta que pode ser replantada”, afirmou.

Importância climática do bioma

O Cerrado é considerado o segundo maior bioma da América do Sul e ocupa cerca de 26% do território brasileiro. Além de ser a savana mais biodiversa do mundo, o bioma abriga nascentes de importantes bacias hidrográficas do país.

De acordo com a pesquisadora Amy Zanne, as condições úmidas dessas áreas reduzem a decomposição da matéria orgânica e favorecem o armazenamento de carbono no Cerrado ao longo de milhares de anos.

Riscos climáticos

Os pesquisadores alertam que o estoque de carbono nesses ambientes pode ser liberado caso ocorram mudanças no uso do solo.

A expansão da agricultura, a drenagem de áreas úmidas e a retirada de água para irrigação estão entre as principais ameaças. Quando o solo seca, a matéria orgânica se decompõe rapidamente e libera dióxido de carbono e metano, gases responsáveis pelo aquecimento global.

O professor Rafael Oliveira, da Unicamp, explica que a liberação desse carbono pode provocar impactos climáticos significativos.

Segundo ele, drenar essas áreas pode liberar grandes quantidades de carbono acumulado na atmosfera.

Bioma sob pressão

Atualmente, o Cerrado enfrenta pressão crescente da expansão agrícola e da pecuária. Grandes áreas do bioma vêm sendo convertidas para produção de commodities, muitas vezes com drenagem de regiões úmidas.

Pesquisadores defendem a ampliação das políticas de proteção ambiental e o reconhecimento do papel estratégico do bioma na regulação climática global.

Para os cientistas envolvidos no estudo, preservar o carbono no Cerrado é essencial para reduzir emissões de gases de efeito estufa e contribuir para o equilíbrio climático do planeta.

Com informações de Agência Brasil

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