Clima extremo e degradação ameaçam nômades da Mongólia

Foto: Rafael Cardoso/Agência Brasil

O clima extremo na Mongólia e a degradação das pastagens estão ameaçando o modo de vida de milhares de pessoas que vivem do pastoreio nas estepes do país. A situação é discutida durante a 17ª Conferência das Nações Unidas de Combate à Desertificação, a COP17, realizada em Ulaanbaatar.

Os nômades enfrentam períodos de seca, aumento das temperaturas, redução das fontes de água e episódios de frio intenso. A degradação das pastagens e o sobrepastoreio também aumentam a pressão sobre os ecossistemas dos quais as comunidades dependem diretamente.

Segundo a Convenção das Nações Unidas para o Combate à Desertificação (UNCCD), entre 70% e 76% do território da Mongólia sofre com desertificação e degradação do solo, o equivalente a aproximadamente 36 milhões de hectares.

Os impactos são sentidos principalmente pelos criadores de ovelhas, cabras, cavalos e bois. Em 2010, um inverno extremo conhecido como dzud provocou a morte de 700 dos 1,3 mil animais de um dos rebanhos acompanhados pela reportagem. Já no dzud de 2020, a família perdeu cerca de 20% dos animais.

O país tinha aproximadamente 58 milhões de animais de rebanho em 2025, número que já chegou a 71 milhões antes do dzud de 2023, quando milhões de animais morreram devido ao frio intenso.

Para enfrentar a degradação, algumas comunidades passaram a deixar determinadas áreas sem uso durante períodos de recuperação. A estratégia permite que a vegetação volte a crescer e reduz a pressão sobre o solo.

Criadores também buscam diversificar a renda e aproveitar melhor produtos como leite, carne e lã, em vez de depender apenas do aumento do número de animais.

A expectativa dos nômades é que a COP17 ajude a encontrar soluções para combater a desertificação, proteger os recursos naturais e garantir a continuidade desse modo de vida para as próximas gerações.

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Com informações de Agência Brasil.

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