57 empresas respondem por 80% das emissões globais de CO₂ após o Acordo de Paris

Foto: Canva

Levantamento mostra que grandes produtoras de petróleo, gás, carvão e cimento ampliaram as emissões mesmo após o acordo climático firmado em 2015.

As emissões globais de CO₂ continuam concentradas em um pequeno grupo de empresas, mesmo após o Acordo de Paris estabelecer metas para reduzir o aquecimento global. Um estudo da organização InfluenceMap, com base no banco de dados Carbon Majors, aponta que apenas 57 empresas foram responsáveis por cerca de 80% das emissões mundiais de dióxido de carbono (CO₂) provenientes da produção de combustíveis fósseis e cimento entre 2016 e 2022.

O levantamento analisa as emissões ligadas à produção de petróleo, gás natural, carvão e cimento, além da poluição gerada quando esses produtos são consumidos por indústrias, usinas e veículos. Segundo os pesquisadores, 58 das 100 maiores empresas avaliadas aumentaram suas emissões nos sete anos posteriores ao Acordo de Paris, em comparação com os sete anos anteriores, indicando expansão da produção em vez da redução esperada.

O estudo também destaca que a concentração das emissões globais de CO₂ não é recente. Mais de 70% das emissões acumuladas desde a Revolução Industrial podem ser atribuídas a apenas 78 empresas e entidades estatais produtoras de petróleo, gás, carvão e cimento. Dessas, 19 organizações respondem por aproximadamente metade de todas as emissões históricas, reforçando o peso dessas companhias nas mudanças climáticas.

Entre os maiores emissores aparecem principalmente empresas estatais. O ranking é liderado pela Saudi Aramco, da Arábia Saudita, seguida pela Gazprom, da Rússia, e pela Coal India, da Índia. Entre as empresas privadas, a norte-americana ExxonMobil ocupa a primeira posição.

Os pesquisadores ressaltam que as empresas não são as únicas responsáveis pelo aquecimento global, já que as emissões também dependem do consumo de combustíveis fósseis por governos, indústrias e consumidores. Ainda assim, o estudo conclui que a forte concentração da produção em poucas companhias torna essas organizações peças centrais para o cumprimento das metas climáticas estabelecidas no Acordo de Paris e para a redução das emissões globais de CO₂ nas próximas décadas.

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