O fim da Moratória da Soja pode provocar um aumento significativo do desmatamento na Amazônia nos próximos dez anos. A conclusão é de um estudo publicado na revista científica Science, que estima a destruição adicional de 1,4 milhão de hectares de floresta, o equivalente a um aumento de 14% em relação às taxas históricas de desmatamento.
Criada em 2006, a Moratória da Soja é um acordo voluntário firmado entre empresas do setor, organizações ambientais e representantes da cadeia produtiva. O compromisso impede a compra de soja cultivada em áreas da Amazônia desmatadas após a data de corte estabelecida pelo pacto, ajudando a reduzir a pressão sobre a floresta.
Segundo os pesquisadores, o fim da Moratória da Soja também pode resultar na emissão de aproximadamente 745 milhões de toneladas de dióxido de carbono (CO₂) equivalente, volume semelhante às emissões anuais do Canadá. Além disso, cerca de 28,7 milhões de hectares de florestas públicas poderão ficar mais vulneráveis à especulação fundiária e à expansão da fronteira agrícola.
O estudo aponta que o encerramento do acordo não traria ganhos econômicos relevantes para os produtores de soja, mas aumentaria a pressão sobre áreas de vegetação nativa e dificultaria os esforços para reduzir as emissões de gases de efeito estufa. Os autores defendem que a manutenção da Moratória continua sendo uma das principais ferramentas para conter o avanço do desmatamento na Amazônia.
A discussão ocorre em meio a disputas judiciais e regulatórias envolvendo o futuro da Moratória da Soja, tema que deve voltar ao debate nas próximas semanas. Especialistas alertam que qualquer flexibilização do acordo pode comprometer metas ambientais assumidas pelo Brasil e ampliar os desafios para a preservação da maior floresta tropical do planeta.









