Intervenção no Consórcio Guaicurus entra em nova fase e pode definir futuro do transporte coletivo em Campo Grande 

Paulo da Silva (Foto: Anna Abreu)

A intervenção no Consórcio Guaicurus, responsável pelo transporte coletivo de Campo Grande, entrou em uma nova etapa com a instalação da comissão processante que irá analisar a execução do contrato de concessão e indicar quais medidas deverão ser adotadas pelo município. Entre as possibilidades estão a manutenção da concessão, a decretação da caducidade do contrato ou a realização de uma nova licitação para o serviço.

Em entrevista ao programa Café com Blink, o diretor-presidente da Agência Municipal de Regulação dos Serviços Públicos (Agereg), Paulo da Silva, explicou que a comissão foi formada dentro do prazo previsto em lei e reúne representantes da Agereg, da Agetran, da Procuradoria-Geral do Município e do gabinete da prefeita. Segundo ele, o grupo será responsável por levantar informações técnicas, administrativas e financeiras sobre a operação do Consórcio Guaicurus desde o início da concessão.

De acordo com o presidente da Agereg, a intervenção afastou a antiga direção das empresas que integram o consórcio e nomeou uma equipe de interventores para assumir temporariamente a administração das operações. A medida busca garantir a continuidade do transporte público enquanto são avaliadas as condições da concessão e o cumprimento das obrigações contratuais.

Durante a entrevista, Paulo da Silva afirmou que um dos principais problemas identificados é o envelhecimento da frota. Segundo ele, atualmente cerca de 197 ônibus estão com a idade acima do limite previsto em contrato, situação que compromete a qualidade do serviço oferecido à população. O dirigente atribuiu esse cenário à falta de investimentos ao longo dos anos na renovação gradual dos veículos.

O presidente da Agereg ressaltou que a comissão de intervenção não tem como objetivo adquirir novos ônibus neste momento. A prioridade, segundo ele, é concluir a análise técnica e jurídica do contrato para que o município possa tomar uma decisão fundamentada sobre o futuro da concessão. Caso seja recomendada a caducidade do contrato, os estudos para uma nova licitação já deverão estar preparados.

Entre as mudanças que poderão ser exigidas em um eventual novo processo licitatório estão a adoção de veículos mais modernos, com tecnologias menos poluentes e a ampliação da frota equipada com ar-condicionado, uma das principais reivindicações dos usuários do transporte coletivo da Capital. Também deverão ser avaliados critérios relacionados à qualidade do serviço, conforto, acessibilidade e eficiência operacional.

Paulo da Silva destacou ainda que qualquer decisão precisa considerar o impacto sobre os cerca de 154 mil passageiros que utilizam diariamente o transporte coletivo em Campo Grande. Segundo ele, a prioridade é assegurar a continuidade do serviço enquanto o processo administrativo avança, evitando prejuízos à população durante a apuração das responsabilidades e definição dos próximos passos para o sistema de transporte público.

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