Desligamentos ocorreram após manifestações públicas de servidoras e levantam suspeita de retaliação na administração municipal
O desligamento de servidoras contratadas pela Prefeitura de Campo Grande, após manifestações públicas, motivou o acionamento do Ministério Público para apurar possíveis práticas de perseguição e irregularidades administrativas.
Um dos casos envolve Natali Pereira de Oliveira, que atuava há oito anos na Rede Municipal de Ensino. Ela foi comunicada sobre o desligamento poucas horas depois de participar de um protesto realizado na Câmara Municipal, onde a categoria reivindicava melhorias nas condições de trabalho e remuneração. Natali é representante sindical dos servidores contratados da administração pública municipal e participou do ato ao lado de mais de mil assistentes de educação infantil.
Além dela, outro caso citado é o de uma médica contratada temporariamente que teria sido desligada após relatar publicamente problemas estruturais e falhas no atendimento em uma unidade de saúde da Capital. As situações levantaram suspeitas de retaliação contra profissionais que expuseram demandas e críticas à gestão pública.
Diante dos relatos, foi solicitado ao Ministério Público que investigue os critérios e as motivações administrativas dos desligamentos, bem como a possível violação de direitos trabalhistas e constitucionais dos servidores contratados.
Reivindicações da categoria
As denúncias ganharam ainda mais destaque durante audiência pública realizada na Câmara Municipal, que discutiu a valorização das assistentes de educação infantil. Profissionais da rede municipal relataram dificuldades enfrentadas no dia a dia, como salários considerados insuficientes, superlotação de salas e falta de reconhecimento da função exercida.
Entre as principais reivindicações estão o reajuste salarial, a concessão de vale-alimentação e melhorias nas condições de trabalho. A categoria também cobra o respeito a direitos básicos, como abono de falta para acompanhamento de filhos em consultas médicas, limite de alunos por sala e revisão de regras que restringem o acesso ao plano de saúde para servidores temporários.
Outro ponto levantado é o enquadramento profissional. As assistentes afirmam que exercem funções essenciais para o funcionamento das unidades, mas são classificadas como monitores, o que, segundo elas, desvaloriza a profissão.
Atualmente, Campo Grande possui mais de cem escolas municipais de educação infantil, cerca de 2,5 mil assistentes em atuação e aproximadamente 34 mil crianças matriculadas. A rede ainda enfrenta uma fila de espera de milhares de alunos por vagas.
As denúncias agora estão sob análise do Ministério Público, que deverá apurar se houve perseguição, assédio institucional ou uso indevido de critérios administrativos nos desligamentos relatados.









