A restauração da Mata Atlântica tem colocado o bioma como exemplo mundial de recuperação ambiental. Mesmo após décadas de desmatamento, iniciativas públicas e privadas mostram que é possível recuperar áreas degradadas e tornar as florestas mais resistentes às mudanças climáticas.
Na Bahia, um projeto da empresa Symbiosis conseguiu reduzir em até 50% o tempo de crescimento de espécies nativas por meio de mapeamento genético. A estratégia permitiu recuperar mil hectares com o plantio de 45 espécies, como jacarandá, jequitibá, ipês e angicos.
Segundo especialistas, a seleção de árvores mais resistentes ajuda a criar florestas mais adaptadas ao clima e com maior diversidade genética, o que aumenta a capacidade de sobrevivência ao longo do tempo.
Um bioma essencial para 72% dos brasileiros
A Mata Atlântica já ocupou cerca de 130 milhões de hectares no Brasil. Hoje, restam apenas 24% da cobertura original, sendo que apenas 12,4% são áreas de floresta madura e bem preservada, distribuídas em 17 estados.
De acordo com a Fundação SOS Mata Atlântica, a fragmentação da floresta reduz a diversidade genética das espécies e aumenta a vulnerabilidade a secas, enchentes e eventos climáticos extremos.
Além do impacto ambiental, a perda da vegetação afeta diretamente a vida da população. A floresta ajuda a garantir água, regular o clima, melhorar a qualidade do ar e até influenciar na produção de alimentos.
Meta de recuperar 15 milhões de hectare
Um dos principais movimentos ligados à restauração da Mata Atlântica é o Pacto pela Restauração da Mata Atlântica, que tem como meta recuperar 15 milhões de hectares até 2050.
Estudos apontam que entre 1993 e 2022 cerca de 4,9 milhões de hectares entraram em processo de regeneração natural. No mesmo período, 1,1 milhão de hectares foram novamente desmatados.
Especialistas defendem que é preciso ampliar políticas públicas, incentivos financeiros e pagamento por serviços ambientais para acelerar a recuperação, já que 90% do território do bioma está em áreas privadas.
Desenvolvimento sustentável e geração de renda
A restauração da Mata Atlântica também é vista como oportunidade econômica. Modelos de manejo permitem exploração sustentável de madeira, óleos e essências, sem corte total da floresta.
Além disso, projetos de recuperação podem gerar emprego e renda. Estimativas indicam que a cada dois campos de futebol restaurados é possível criar um posto de trabalho.
Hoje, a restauração da Mata Atlântica já é considerada uma das principais referências globais em recuperação ambiental, mostrando que desenvolvimento e preservação podem caminhar juntos.
Com Informações da Agência Brasil









