O Ministério das Relações Exteriores (MRE) emitiu um alerta sobre falsas propostas de trabalho no Sudeste Asiático que têm sido usadas para aliciar brasileiros para o tráfico internacional de pessoas. A região, que inclui países como Tailândia, Camboja, Vietnã e Mianmar, concentra atualmente os principais casos de exploração laboral envolvendo cidadãos do Brasil.
De acordo com o Itamaraty, a maioria das vítimas é formada por jovens com conhecimentos em informática, recrutados principalmente pelas redes sociais. As abordagens costumam prometer vagas em call centers ou empresas de tecnologia, com salários altos, comissões atrativas, passagens aéreas e hospedagem pagas.
Ao chegarem ao destino, no entanto, muitos brasileiros relatam retenção de passaportes, jornadas exaustivas, restrição de liberdade e até violência física. Há registros de vítimas forçadas a participar de golpes virtuais, fraudes com criptomoedas, esquemas de apostas e outros crimes digitais.
Cartilha orienta sobre prevenção e repatriação
Para orientar a população, o MRE elaborou uma cartilha em parceria com o Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP) e a Defensoria Pública da União (DPU). O material explica como identificar propostas suspeitas e detalha os procedimentos para buscar ajuda consular e eventual repatriação.
O ministério recomenda que brasileiros não aceitem ofertas que prometam ganhos elevados, contratação imediata ou intermediação informal, especialmente quando envolvem países da região.
Caso recente expôs esquema em mianmar
Em 2025, dois brasileiros conseguiram escapar de um esquema de tráfico humano em Mianmar, país que enfrenta uma guerra civil. Eles relataram que tiveram os passaportes confiscados e foram obrigados a trabalhar mais de 15 horas por dia aplicando golpes online. Após fuga para a Tailândia, receberam assistência consular e apoio no retorno ao Brasil.
Quando cabe repatriação
Segundo as orientações oficiais, o retorno ao Brasil deve ser custeado, em regra, pelo próprio cidadão. A repatriação com recursos públicos ocorre apenas em situações excepcionais de comprovado desamparo e mediante disponibilidade orçamentária. Nesses casos, é necessário apresentar declaração de hipossuficiência econômica junto à DPU, e o custeio cobre apenas o retorno até o primeiro ponto de entrada no território nacional.
O Itamaraty reforça que vítimas de tráfico ou outras situações graves no exterior devem procurar a embaixada ou o consulado brasileiro mais próximo. Casos como violência, retenção migratória, desaparecimento recente, conflitos armados e internações hospitalares sem recursos são considerados emergenciais e têm prioridade de atendimento consular.









