Entenda como funciona o tratamento experimental com polilaminina

Entenda como funciona o tratamento experimental com polilaminina
Foto: Canva

Tratamento experimental com polilaminina avança no Brasil e apresenta respostas em paciente de MS

Pesquisadores brasileiros avançam nos estudos de um tratamento experimental que pode representar um novo caminho para a recuperação de pacientes com lesões na medula espinhal. A terapia utiliza a polilaminina, uma proteína naturalmente presente no organismo humano, que atua na comunicação entre células e na regeneração de tecidos do sistema nervoso.

A substância vem sendo estudada por um grupo de pesquisadores liderado pela professora doutora Tatiana Sampaio, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). O objetivo do tratamento é criar um ambiente favorável para a reorganização das células nervosas lesionadas, estimulando a reconexão dos sinais entre o cérebro e o corpo. Em pacientes com lesão medular, essa interrupção é a principal causa da perda de movimentos e sensibilidade.

Inicialmente, os estudos indicavam que a aplicação da polilaminina deveria ocorrer até 72 horas após o trauma, período considerado ideal para obter melhores resultados. No entanto, observações clínicas recentes levaram os pesquisadores a ampliar essa janela terapêutica para até três meses após a lesão, abrindo possibilidade de tratamento para um número maior de pacientes.

Até o momento, 13 pessoas já receberam a aplicação da polilaminina no Brasil, sempre em caráter excepcional, com autorização judicial e acompanhamento médico rigoroso. O tratamento ainda não é aprovado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e não pode ser comercializado, permanecendo restrito ao ambiente de pesquisa científica.

Um dos pacientes que apresentou respostas consideradas relevantes é o jovem Luiz Otávio Santos Nunes, de 19 anos, morador de Mato Grosso do Sul. Ele ficou tetraplégico após ser atingido por um disparo de arma de fogo em outubro do ano passado e recebeu o tratamento no Hospital Militar de Campo Grande, cerca de 110 dias após o acidente.

Após a aplicação da polilaminina, Luiz Otávio passou a relatar sensações antes inexistentes, como percepção de calor, resposta ao toque e movimentos leves nas pernas quando tenta enviar comandos com a cabeça. Pequenas contrações musculares também foram percebidas por profissionais de fisioterapia durante o acompanhamento clínico.

Especialistas explicam que, embora os movimentos ainda sejam discretos, esse tipo de resposta é considerado importante em lesões medulares, pois indica que sinais neurológicos podem estar voltando a percorrer caminhos interrompidos pelo trauma. A recuperação, quando ocorre, é gradual e depende da associação do tratamento com fisioterapia intensiva e acompanhamento multidisciplinar.

Os pesquisadores reforçam que a polilaminina não representa uma cura imediata para a tetraplegia, mas pode se tornar uma ferramenta complementar no processo de reabilitação. Novos estudos seguem em andamento para avaliar a segurança, os limites e a eficácia do tratamento em diferentes tipos de lesão.

O caso de Luiz Otávio é acompanhado com cautela pela equipe médica e pelos pesquisadores, mas tem sido visto como um sinal de avanço científico e de esperança para pacientes e famílias que convivem com lesões graves na medula espinhal.

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