Governo prepara novo plano para tratamento do autismo no SUS

O governo federal estuda lançar um novo plano nacional de tratamento para pessoas com Transtorno do Espectro Autista (TEA) no Sistema Único de Saúde (SUS). Atualmente, existem dois planos em vigor, mas a proposta é unificá-los para torná-los mais acessíveis, funcionais e com foco na integração dos serviços.

A ideia também prevê a criação de um novo documento de cuidado para o autismo na rede pública, a qualificação de profissionais de saúde e a revisão das diretrizes já existentes.

Segundo o Censo do IBGE de 2022, o Brasil tem 2,4 milhões de pessoas diagnosticadas com autismo, o que equivale a 1,2% da população. A maior prevalência ocorre em crianças de 5 a 9 anos, fase em que geralmente o diagnóstico é feito.

A neuropsicopedagoga Silvia Kelly Bosi, especialista em autismo e desenvolvimento infantil, explicou a importância de identificar o TEA cedo:

“Pesquisas comprovam que a intervenção precoce é fundamental, especialmente até os 6 anos, porque aproveita a plasticidade neural do cérebro. Isso potencializa habilidades sociais, de linguagem, motricidade e comunicação, favorecendo a autonomia, independentemente do nível de suporte necessário.”

No DSM-5, os chamados “graus de autismo” são classificados como níveis de suporte:

  • Nível 1 – suporte leve e pontual;
  • Nível 2 – suporte substancial e intermitente;
  • Nível 3 – suporte muito substancial e contínuo.

Para Silvia, o diagnóstico pode ser doloroso para as famílias, mas não deve ser motivo de desespero:

“É comum que os pais passem por fases emocionais, como negação e aceitação. Mas buscar informação, psicoeducação e apoio multiprofissional é essencial. A intervenção não deve focar apenas na criança, mas também incluir a família, para que todos aprendam a lidar com o novo.”

O governo deve apresentar oficialmente as propostas em breve, com debates no âmbito do Ministério da Saúde e em audiências públicas.

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