Levantamento aponta índice de 2,6 mortes a cada 100 mil mulheres, acima da média nacional
Mato Grosso do Sul encerrou 2025 com 39 mulheres assassinadas por razões de gênero e aparece entre os quatro estados com maior taxa de feminicídio do país. O índice estadual foi de 2,6 mortes a cada 100 mil mulheres, superior à média nacional, que ficou em 1,43.
O Estado ocupa a quarta posição no ranking nacional, atrás de Acre, Rondônia e Mato Grosso. Nos últimos cinco anos, houve aumento superior a 14% nos registros de feminicídio, conforme o levantamento. A maior parte dos crimes ocorreu dentro de casa e teve como autor alguém próximo da vítima.
Dados nacionais indicam que 60% das mulheres foram mortas pelo parceiro íntimo e 21,3% pelo ex-companheiro. Apenas 4,9% dos casos envolveram desconhecidos. Em 97,3% das ocorrências com autoria identificada, os crimes foram cometidos por homens.
O perfil das vítimas no país revela que 62,6% eram mulheres negras e metade tinha entre 30 e 49 anos. Outras 29,4% tinham entre 18 e 29 anos, enquanto 15,5% tinham mais de 50 anos, o que demonstra que a violência atinge diferentes faixas etárias.
Em fevereiro do ano passado, o assassinato da jornalista Vanessa Ricarte, morta a facadas pelo ex-noivo, o músico Caio Nascimento, ganhou repercussão e reacendeu o debate sobre a violência doméstica no Estado.
Em 2026, a Lei Maria da Penha completa 20 anos. Apesar do avanço na legislação e do enquadramento do feminicídio como crime hediondo, os dados apontam desafios na aplicação das medidas de proteção e na prevenção da violência contra a mulher.









