Uma nova diretriz mudou as recomendações para o tratamento de alterações da tireoide na gestação. A atualização foi divulgada pela Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia e pela Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia.
A principal mudança envolve gestantes que apresentam anticorpos contra a tireoide, conhecidos como anti-TPO, mas têm o funcionamento normal da glândula. Nesses casos, o uso preventivo de levotiroxina, um hormônio sintético da tireoide, não é mais recomendado.
A mudança tem como base três grandes estudos que não encontraram benefícios do tratamento preventivo para reduzir os riscos de aborto ou parto prematuro. A nova orientação também considera uma diretriz publicada pela Associação Americana da Tireoide em junho deste ano.
Acompanhamento continua durante a gravidez
Mesmo sem a indicação do medicamento para mulheres com anti-TPO positivo e função normal da tireoide, o acompanhamento médico deve continuar. Isso porque a presença dos anticorpos indica uma maior predisposição para o desenvolvimento de hipotireoidismo ao longo da gestação.
Para mulheres que já tinham hipotireoidismo antes de engravidar, a recomendação permanece diferente. Nesse caso, a orientação é aumentar em cerca de 30% a dose habitual do hormônio logo no início da gravidez.
Tratamento do hipotireoidismo subclínico
Outra alteração envolve o chamado hipotireoidismo subclínico, situação em que o TSH está elevado, mas o T4 livre permanece normal.
Pela nova orientação brasileira, quando o TSH estiver entre 4 e 10 mUI/L, a decisão de iniciar o tratamento passa a ser concentrada principalmente no primeiro trimestre. Isso ocorre porque, até a 12ª semana, o desenvolvimento do feto depende mais dos hormônios tireoidianos maternos.
Quando a alteração é identificada apenas no segundo ou terceiro trimestre, a recomendação é acompanhar a função da tireoide sem iniciar automaticamente a levotiroxina. O tratamento pode ser indicado quando o TSH ultrapassar 10 mUI/L.
Rastreamento continua no Brasil
Apesar da mudança internacional para um rastreamento mais seletivo, o Brasil decidiu manter a estratégia de testar todas as gestantes desde o início da gravidez. A intenção é identificar precocemente quem realmente precisa de tratamento e evitar o uso desnecessário de medicamentos.
Entre os principais fatores de risco estão histórico de doenças da tireoide, cirurgia ou tratamento anterior da glândula, doenças autoimunes, histórico familiar, infertilidade, dois ou mais abortamentos e uso de medicamentos que interferem no funcionamento da tireoide.
A atualização busca tornar o cuidado com a tireoide na gestação mais individualizado, levando em consideração os resultados dos exames, o histórico da paciente e o momento da gravidez.









