Europa pode enfrentar escassez de combustível de aviação em até seis semanas, e companhias iniciam cortes de voos

Europa pode enfrentar escassez de combustível de aviação em até seis semanas, e companhias iniciam cortes de voos
Foto: Canva

Bloqueio no Estreito de Ormuz eleva preços do querosene e leva empresas como Lufthansa e KLM a cancelar operações

A Europa pode ter combustível de aviação suficiente por apenas mais seis semanas, segundo alerta da Agência Internacional de Energia (AIE) divulgado em abril de 2026. O risco de escassez ocorre após o bloqueio do Estreito de Ormuz pelo Irã, que já dura mais de seis semanas e afeta o fornecimento global. Diante do cenário, companhias aéreas como Lufthansa e KLM começaram a cancelar voos.

O diretor executivo da AIE, Fatih Birol, afirmou que os estoques podem atingir nível crítico até junho, caso os países europeus não consigam substituir ao menos metade das importações vindas do Oriente Médio. A região dependia de cerca de 75% desse fornecimento, considerado essencial para o abastecimento de aeronaves.

O bloqueio do Estreito de Ormuz, rota estratégica para o transporte de petróleo e derivados, provocou alta expressiva nos preços do combustível de aviação. O valor de referência na Europa chegou a US$ 1.838 por tonelada no início de abril, mais que o dobro do registrado antes do início do conflito.

Entre as medidas adotadas pelas companhias, a Lufthansa anunciou a retirada definitiva de operação de 27 aeronaves da subsidiária regional Lufthansa CityLine a partir de 18 de abril. A empresa citou o aumento dos custos com querosene e impactos financeiros adicionais, incluindo paralisações trabalhistas.

Já a KLM informou o cancelamento de 160 voos previstos para o próximo mês. A companhia declarou que a decisão está relacionada ao aumento dos custos operacionais e afirmou que passageiros afetados serão realocados em outros voos.

Outras empresas também registram impactos. A Scandinavian Airlines (SAS) anunciou o cancelamento de cerca de mil voos em abril, enquanto a EasyJet relatou custo adicional de 25 milhões de libras com combustível apenas no mês de março.

Segundo a AIE, países europeus buscam alternativas para substituir o fornecimento do Golfo, com importações principalmente dos Estados Unidos e da Nigéria. Ainda assim, mesmo com redirecionamento total dessas cargas, seria possível repor pouco mais da metade do volume perdido.

A agência avalia que, se menos de 50% do fornecimento for substituído, pode haver escassez física em aeroportos específicos, resultando em cancelamentos e redução da demanda. Em cenários mais favoráveis, com reposição de até 75%, os impactos poderiam ser adiados para o segundo semestre.

Autoridades europeias afirmam que, até o momento, não há evidências de escassez imediata, mas reconhecem risco de problemas de abastecimento nas próximas semanas. A Comissão Europeia informou que monitora a situação e deve anunciar medidas para o setor energético.

Especialistas do mercado apontam que, mesmo com eventual retomada do fluxo pelo Estreito de Ormuz, o abastecimento pode levar entre cinco e seis semanas para se normalizar, o que pode coincidir com o período de maior demanda por viagens no verão europeu.

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