A possibilidade de uma nova greve de caminhoneiros no Brasil voltou a ganhar força diante da alta no preço do diesel. A decisão sobre a paralisação deve ser tomada após reunião da categoria no Porto de Santos, em Santos (SP), nesta quarta-feira (18).
O movimento ocorre oito anos após a grande paralisação nacional de 2018, que causou impactos no abastecimento e na economia do país.
A mobilização é acompanhada por entidades como a Confederação Nacional dos Trabalhadores em Transporte e Logística (CNTLL), que afirmou respeitar a decisão da maioria dos caminhoneiros.
A paralisação chegou a ser cogitada para começar ainda nesta semana, mas foi adiada para definição coletiva após reunião com representantes de diversos portos.
A Associação Brasileira dos Condutores de Veículos Automotores declarou estado de alerta e indicou que muitos profissionais já defendem a interrupção das atividades.
Alta do diesel pressiona setor
O principal motivo da possível greve de caminhoneiros é o aumento do preço do diesel, que tem elevado os custos do transporte de cargas em todo o país.
Mesmo após medidas do governo federal, como a redução de impostos, e reajustes feitos pela Petrobras, o valor do combustível segue alto nos postos.
Em alguns estados, o litro do diesel já se aproxima de R$ 9, o que, segundo a categoria, torna inviável manter as operações, especialmente para caminhoneiros autônomos.
Outro fator de insatisfação é o descumprimento do piso mínimo do frete. Com o aumento do combustível, os custos subiram, mas nem sempre o reajuste é repassado aos motoristas.
Dados da Agência Nacional do Petróleo (ANP) indicam que o preço do diesel elevou entre 4,8% e 7% os valores mínimos do frete.
Possíveis impactos
Caso a paralisação seja confirmada, os efeitos podem ser semelhantes ou até maiores que os registrados na greve dos caminhoneiros de 2018.
Na época, houve:
- falta de combustíveis nos postos
- desabastecimento de alimentos
- cancelamento de voos
- impacto direto no crescimento do PIB
Atualmente, o Brasil conta com cerca de 790 mil caminhoneiros autônomos, além de aproximadamente 750 mil motoristas com carteira assinada, o que amplia o potencial de impacto de uma paralisação nacional.
O governo do Luiz Inácio Lula da Silva anunciou ações para tentar conter a crise, como a redução de impostos sobre o diesel e medidas para reforçar a fiscalização do cumprimento da tabela de frete.
A estratégia é evitar uma nova paralisação em larga escala e reduzir os impactos na economia.
Com informações de Correio do Estado.









