Cortes de verba na UFRJ impediram manutenção do registro no exterior, enquanto pacientes já apresentam sinais de recuperação com a proteína experimental
Uma pesquisa brasileira que pode transformar a vida de pessoas com lesão na medula espinhal perdeu a proteção internacional por falta de recursos. A revelação foi feita pela pesquisadora Tatiana Sampaio, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).
O estudo começou em 2007, quando a equipe identificou o potencial terapêutico da polilaminina, uma molécula que pode auxiliar na regeneração de lesões medulares. Naquele momento, foi feito o pedido de patente, antes mesmo dos testes em humanos, para garantir a proteção da tecnologia no Brasil e no exterior.
A patente nacional foi concedida após 18 anos de tramitação. No entanto, a proteção internacional acabou perdida entre 2015 e 2016, período em que a universidade enfrentou cortes orçamentários e deixou de pagar as taxas necessárias para manter o registro fora do país.
Com isso, empresas e laboratórios estrangeiros podem utilizar a tecnologia sem a obrigação de pagar direitos ao Brasil. Segundo a pesquisadora, a patente internacional não pode ser reativada após a perda do prazo. Por um período, ela chegou a custear com recursos próprios a manutenção da proteção nacional para evitar a perda total.
Primeiros pacientes apresentam evolução
Apesar do revés jurídico, os avanços clínicos chamam atenção. Em janeiro deste ano, o militar de 19 anos Luiz Otávio Santos Nunes se tornou o primeiro paciente de Mato Grosso do Sul a receber a proteína experimental. Tetraplégico após um acidente, ele relatou movimentos sutis nos dedos e sensações nas pernas apenas 12 dias após a aplicação.
Outro caso que ganhou repercussão é o de Bruno Drummond de Freitas, apontado como o primeiro paciente no mundo a recuperar movimentos após o tratamento experimental com a polilaminina. Vídeos publicados nas redes sociais mostram sua rotina de reabilitação e evolução física.
A ex-ginasta Laís Souza, que ficou tetraplégica após um acidente em 2014, também passou a acompanhar de perto os avanços do tratamento. Uma imagem que viralizou mostra Bruno empurrando a cadeira de rodas da atleta, símbolo de esperança para milhares de pacientes.
Impacto além da ciência
O caso reacende o debate sobre financiamento à ciência no Brasil. Especialistas apontam que cortes de recursos podem comprometer não apenas pesquisas em andamento, mas também a soberania tecnológica do país.
Enquanto os estudos avançam e pacientes demonstram sinais de recuperação, a perda da patente internacional evidencia as consequências práticas da falta de investimento contínuo em inovação.









