As ondas de calor no Brasil ainda são tratadas como um problema de menor gravidade, apesar dos impactos sobre a saúde e do risco de aumento desses eventos com a chegada de um novo El Niño. O alerta foi feito pela professora Renata Libonati, do Departamento de Meteorologia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), durante um painel sobre o fenômeno climático.
Segundo a pesquisadora, dados do Sistema Único de Saúde (SUS) apontam cerca de 50 mil mortes relacionadas a ondas de calor entre 2000 e 2020, considerando 14 regiões metropolitanas do país. Para ela, o número demonstra que o calor extremo precisa receber mais atenção nas políticas de prevenção e adaptação climática.
Os especialistas também alertam para a possibilidade de o El Niño aumentar a ocorrência de eventos extremos em diferentes regiões brasileiras. O fenômeno pode contribuir para a combinação entre calor, seca e incêndios, elevando as condições favoráveis à propagação do fogo.
Os impactos, porém, não devem ser iguais em todo o país. No Sul, o El Niño costuma estar associado ao aumento das chuvas e ao risco de enchentes. No Norte e Nordeste, a tendência é de redução das chuvas e maior possibilidade de seca. Já no Centro-Oeste, pode haver atraso no início da estação chuvosa e mais ondas de calor. No Sudeste, são esperadas temperaturas elevadas e maior irregularidade das chuvas.
Para os pesquisadores, o Brasil precisa acelerar medidas de adaptação às mudanças climáticas. A vulnerabilidade também é maior entre populações com menor acesso a serviços de saúde, moradias adequadas e sistemas de refrigeração.
A preocupação é que as ondas de calor no Brasil se tornem mais frequentes e intensas, ampliando os impactos sobre a saúde, a agricultura, o fornecimento de energia e outros setores.









