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Por que eventos climáticos extremos são cada vez mais parte da realidade?

Os registros históricos de desastres ambientais no Brasil revelam uma preocupante tendência de aumento tanto em extensão territorial quanto em intensidade, resultando em um número crescente de pessoas impactadas por eventos climáticos. No entanto, apesar desses desafios, existem soluções viáveis para enfrentar essa situação.

Maioria dos brasileiros reconhece impacto crescente de eventos climáticos extremos

Os sinais são claros e alarmantes: enchentes históricas, incêndios florestais devastadores, ondas de calor sem precedentes e secas prolongadas estão se tornando mais comuns no Brasil.

Recentemente, o Rio Grande do Sul enfrentou o pior desastre climático de sua história, resultando em mais de 100 mortes e um impacto devastador na economia agrícola do estado. 

As autoridades afirmam que a recuperação pode levar meses, até anos, destacando a necessidade urgente de um plano abrangente de reconstrução, comparável ao “Plano Marshall”.

O aumento significativo de desastres naturais no país é evidente. No ano passado, foram registrados mais de 1.161 eventos, uma média de mais de três por dia, marcando um recorde desde que os registros começaram em 2011, de acordo com o Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden).

A geografia diversificada do Brasil contribui para essa vulnerabilidade, com regiões propensas a inundações no sul e outras enfrentando períodos recorrentes de seca, como o semiárido do nordeste. Além disso, fenômenos como o El Niño exercem seu impacto.

No entanto, é o aquecimento global que intensifica e torna mais frequentes esses eventos extremos, essas ocorrências extremas estão se tornando mais frequentes e intensas, uma tendência que provavelmente continuará.

Além das chuvas intensas, o país também enfrenta o desafio dos incêndios florestais, muitos deles causados pelo desmatamento para expansão agrícola. A Amazônia, em particular, tem sido gravemente afetada, sofrendo uma seca histórica no ano passado.

Mas há soluções?

Diante do aumento alarmante de desastres naturais, a comunidade científica está concentrando esforços em estratégias para diminuir seus impactos. A Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC) divulgou um documento recente enfatizando a urgência de ações para evitar novas tragédias e perdas de vidas decorrentes da falta de políticas públicas adequadas para eventos climáticos extremos.

A SBPC destaca 10 medidas essenciais de curto, médio e longo prazos para reduzir riscos, proteger as vítimas e prevenir a repetição de desastres, como inundações, deslizamentos de terra e desabamentos:

1. Atendimento emergencial aos desabrigados, envolvendo uma ação coordenada entre governo federal, estadual, municipal, sociedade civil e cidadãos solidários, visando garantir moradia adequada o mais rápido possível, com atenção especial para grupos vulneráveis.

2. Estabelecimento imediato de políticas de prevenção em comunidades vulneráveis, incluindo planos de contingência com sistemas de alarme eficazes, rotas de fuga, abrigos seguros e protocolos claros para a população.

3. Implementação de uma política habitacional consistente que abordem as causas econômicas e sociais da vulnerabilidade, proporcionando moradia digna e segura para aqueles que atualmente vivem em áreas de alto risco.

4. Restauração das matas e florestas que protegiam as montanhas e bacias hidrográficas, especialmente em áreas suscetíveis a tempestades intensas, para evitar novas catástrofes.

5. Implementação de medidas de enfrentamento e mitigação das mudanças climáticas, abordando uma das principais causas de deslizamentos, inundações e mortes.

6. Orientação para que a mídia evite retratar tais eventos como inevitáveis ​​ou imprevisíveis, em vez disso, analise suas causas e formas de prevenção.

7. Integração da educação básica na conscientização sobre o aquecimento global e a ocupação irregular de áreas propensas a desastres.

8. Fortalecimento do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (CEMADEN) e seu papel na previsão de desastres, incluindo a colaboração com a Defesa Civil e outros órgãos governamentais.

9. União de todos os atores políticos e sociais para garantir uma qualidade de vida digna para as aproximadamente 10 milhões de pessoas que vivem em áreas de risco.

10. Estruturação de um Programa Nacional de Educação para Resiliência, inspirado no Programa CEMADEN EDUCAÇÃO, visando preparar a população para lidar com eventos extremos.