Procedimentos experimentais com substância desenvolvida a partir da laminina aumentam expectativa de famílias de pessoas com lesão na medula
Dois novos pacientes passaram por procedimento com polilamina em Campo Grande, ampliando o interesse de famílias que acompanham estudos sobre possíveis tratamentos para lesões na medula espinhal.
As cirurgias ocorreram nesta semana no Hospital Proncor e, segundo informações iniciais, foram realizadas sem intercorrências. Receberam a substância a aposentada Maria José Gonçalves, de 64 anos, e Daniel Aparecido Costa dos Santos, de 32 anos, morador de Sidrolândia.
A polilamina é uma substância ainda em fase experimental, desenvolvida a partir da laminina, proteína presente no organismo e associada à estrutura dos tecidos e do sistema nervoso. Pesquisadores transformaram esse composto em uma espécie de rede biológica com potencial para auxiliar na reorganização de nervos lesionados.
A proposta do estudo consiste em utilizar a substância como suporte para reconectar, de forma parcial, a comunicação entre cérebro e corpo, interrompida em casos de lesão medular, condição que pode levar à paralisia.
A pesquisa é conduzida há mais de duas décadas por cientistas da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e está na fase inicial de testes em humanos. Nesta etapa, os ensaios clínicos buscam avaliar a segurança do procedimento, sem confirmação definitiva sobre eficácia.
No Estado, aplicações anteriores já ocorreram dentro de protocolos autorizados. O uso da substância permanece restrito a estudos clínicos com aval da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), sem liberação para uso amplo em hospitais ou clínicas.
Mesmo em fase inicial, os procedimentos têm mobilizado famílias, que acompanham os avanços e, em alguns casos, recorrem à Justiça para tentar acesso ao tratamento.








