Seca avança no Brasil e preocupa comunidades na Amazônia

Foto: Rafa Neddermeyer/Agência Brasil

A seca no Brasil deixou de ser um problema restrito às regiões tradicionalmente áridas e passou a atingir diferentes áreas do país. O avanço do fenômeno será um dos principais temas da 17ª Conferência das Nações Unidas de Combate à Desertificação, a COP17, que começa nesta segunda-feira (17), na Mongólia.

Segundo a Convenção das Nações Unidas de Combate à Desertificação (UNCCD), a frequência e a duração das secas aumentaram quase 30% desde 2000. A projeção é que, até 2050, três em cada quatro pessoas no mundo possam ser afetadas pelo problema.

No Brasil, as cinco regiões registraram algum nível de seca em julho. Pelo menos 157 municípios foram classificados em situação de seca severa, caracterizada pela redução da umidade do solo e pelo estresse hídrico da vegetação, com impactos sobre a agricultura.

Amazônia também enfrenta seca severa

A Amazônia é um dos exemplos mais preocupantes. Em 2023 e 2024, rios de diferentes municípios da região atingiram os menores níveis já registrados. A situação provocou isolamento de comunidades, interrupções no transporte fluvial e dificuldades para o abastecimento de alimentos e medicamentos.

O monitoramento mais recente do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden) mostra que o número de territórios indígenas afetados por seca severa passou de três, em junho, para 17 em julho. Assentamentos rurais também registraram aumento das áreas atingidas.

El Niño pode agravar o cenário

A preocupação aumenta com a previsão de um El Niño mais intenso entre agosto e outubro. No Brasil, o fenômeno pode favorecer a redução das chuvas e o aumento das temperaturas principalmente no Norte, Nordeste e em áreas do Centro-Oeste, deixando essas regiões mais vulneráveis a secas prolongadas, secas-relâmpago e queimadas.

Na COP17, a expectativa é ampliar as discussões sobre monitoramento, sistemas de alerta, recuperação de áreas degradadas, gestão da água e adaptação das populações aos eventos extremos.

Para especialistas, o desafio é agir antes que a seca no Brasil se transforme em uma emergência ainda maior, principalmente entre comunidades que dependem diretamente dos recursos naturais para sobreviver.

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Com informações de Agência Brasil

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