A restrição do uso de celulares nas escolas da rede estadual de Mato Grosso do Sul já apresenta reflexos no rendimento escolar, na convivência entre os alunos e até na redução de conflitos dentro das unidades de ensino. A avaliação foi feita pelo secretário estadual de Educação, Hélio Daher, além de professores e diretores da rede pública, durante entrevistas ao programa Café com Blink.
Segundo o secretário, a medida surgiu após discussões sobre o impacto das telas no ambiente escolar e teve como foco recuperar a atenção dos estudantes e ampliar a interação social dentro das escolas.
“Os alunos passaram a conversar menos entre si e ficaram mais isolados nas próprias bolhas digitais. A escola perdeu parte da convivência e da interação”, afirmou.
De acordo com Daher, a restrição não significa proibição total do celular, mas controle do uso durante as atividades escolares. Ele explicou que o aparelho segue permitido em situações pedagógicas e com orientação dos professores.
A Secretaria Estadual de Educação também identificou aumento da concentração e melhora no desempenho dos estudantes após a implementação da medida. Conforme o secretário, a rede estadual atingiu índices históricos de aprovação, superando 95% dos alunos aprovados.
Outro reflexo observado foi a redução de casos de violência e conflitos dentro das escolas. “O ambiente escolar voltou a ficar mais vivo. Os alunos retomaram atividades em grupo, esportes e momentos de convivência”, disse.
Uso excessivo e impacto nas relações
Diretor da Escola Estadual Teotônio Vilela, Walter Queiroz afirmou que o celular funcionava como um elemento de distração dentro da sala de aula e dificultava o processo de aprendizagem. “Era uma disputa de atenção entre o professor e o celular. O aluno acabava dispersando facilmente”, relatou.
Apesar da resistência inicial de alguns estudantes, o diretor afirmou que a adaptação ocorreu de forma gradual e sem grandes conflitos. Segundo ele, houve melhora na participação dos alunos e nas relações interpessoais.
“A biblioteca voltou a ter movimento no intervalo e os estudantes passaram a interagir mais”, comentou.
Walter também destacou que a pandemia intensificou a dependência dos adolescentes em relação às telas, aumentando casos de agressividade e isolamento social.
Tecnologia como ferramenta pedagógica
Mesmo com a restrição, educadores defendem que o celular continue sendo utilizado de forma orientada no ambiente escolar. Hélio Daher lembrou que o aparelho oferece ferramentas importantes para pesquisa e aprendizado, mas ressaltou que o uso indiscriminado acaba desviando o foco dos alunos.
Segundo o secretário, testes feitos pela rede estadual mostraram que, quando a internet das escolas foi liberada sem restrições, cerca de 70% do consumo de banda era destinado ao TikTok.
“O celular pode auxiliar no aprendizado, mas o estudante facilmente deixa a pesquisa e migra para redes sociais”, afirmou.
A professora de língua inglesa Ana Diez da Barros também relatou melhora na concentração dos estudantes e maior participação nas atividades em grupo após a restrição.
“As aulas passaram a ter mais interação entre alunos e professores, além de mais foco e disciplina”, disse.
Atenção das famílias
Educadores ressaltaram ainda que o acompanhamento familiar é fundamental para controlar o uso excessivo das redes sociais fora da escola.
A Secretaria de Educação informou que mantém equipes específicas para monitorar questões relacionadas à segurança digital, bullying, violência psicológica e exposição indevida de estudantes na internet.
Segundo Walter Queiroz, muitos conflitos registrados nas escolas começam nas redes sociais e acabam refletindo no ambiente escolar.
“Os pais precisam acompanhar o que os filhos acessam e com quem estão conversando. Muitos casos envolvem violência psicológica e ameaças virtuais”, alertou.
Na Escola Estadual Teotônio Vilela, o diretor afirma que os resultados já aparecem nos índices educacionais. Em 2025, a unidade registrou quase 98% de aprovação e nenhum aluno reprovado nos terceiros anos do ensino médio.









