Vício em bets amplia casos de depressão, dívidas e sofrimento psicológico

(Imagem: Freepik)

As apostas online deixaram de representar apenas uma forma de entretenimento e passaram a ser tratadas como um desafio para a saúde pública. A facilidade de acesso pelo celular, a presença constante de propagandas e o crescimento do número de pessoas com comportamento compulsivo têm preocupado especialistas, que alertam para os impactos psicológicos e sociais provocados pelas chamadas bets.

Durante entrevista à série especial “Um Cassino em Cada Bolso”, da Blink 102, o psicólogo e psicanalista Augusto Paulista afirmou que o Brasil não estava preparado para a rápida expansão das plataformas de apostas. Segundo ele, a combinação entre tecnologia, publicidade e acesso imediato ao jogo criou um ambiente favorável ao desenvolvimento da compulsão, especialmente entre pessoas emocionalmente mais vulneráveis.

Na avaliação do especialista, o vício em apostas apresenta características semelhantes às observadas em dependências como álcool e cigarro. O comportamento compulsivo leva o jogador a insistir nas apostas para tentar recuperar perdas financeiras, alimentando um ciclo de culpa, ansiedade e novas tentativas. Em muitos casos, o problema ultrapassa a questão econômica e passa a afetar diretamente a saúde mental, os relacionamentos familiares e a qualidade de vida.

Outro ponto de preocupação é o contato precoce de crianças e adolescentes com a publicidade das plataformas. Mesmo com restrições legais para menores de idade, propagandas de apostas aparecem com frequência nas redes sociais, em transmissões esportivas e em campanhas publicitárias envolvendo atletas e influenciadores digitais. Para Augusto Paulista, reduzir essa exposição é uma das medidas mais importantes para evitar que novos jogadores desenvolvam comportamentos de risco.

O psicólogo também defende que o debate sobre as bets vá além da liberdade individual de apostar. Segundo ele, quando o jogo evolui para um quadro de dependência, o problema deixa de ser apenas uma escolha pessoal e passa a gerar consequências para toda a sociedade, como aumento da demanda por atendimento em saúde mental, endividamento das famílias e agravamento de transtornos psicológicos.

Ao longo da entrevista, o especialista reforçou que nem toda pessoa que aposta desenvolverá um vício, mas alertou que indivíduos com maior fragilidade emocional podem encontrar no jogo uma tentativa de preencher questões internas que vão além da busca por dinheiro. Para esses casos, o tratamento psicológico é considerado fundamental para identificar as causas da compulsão e interromper o ciclo de dependência.

Para assistir a entrevista completa, acesse nosso canal no Youtube

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