Crise financeira volta a afetar atendimento na Santa Casa de Campo Grande
A crise financeira enfrentada há décadas pela Santa Casa de Campo Grande voltou a impactar diretamente o atendimento à população. A instituição confirmou a suspensão de cirurgias eletivas em função da redução no número de anestesiologistas e de outros médicos, causada por atrasos salariais que, em alguns casos, ultrapassam sete meses.
O problema se soma a episódios recentes de instabilidade. Em dezembro, próximo ao Natal, enfermeiros paralisaram as atividades em protesto contra o atraso de salários e do 13º. Situações como atrasos recorrentes, paralisações e redução de equipes refletem um cenário estrutural e financeiro que se arrasta há anos e afeta pacientes que aguardam cirurgias e procedimentos.
Segundo a Santa Casa, os atendimentos de urgência e emergência seguem sendo priorizados, mas a capacidade operacional do hospital está comprometida. A redução de profissionais impacta diretamente o funcionamento do centro cirúrgico e provoca o adiamento de procedimentos, inclusive de pacientes que permanecem internados por dias em preparo cirúrgico.
O presidente do Sindicato dos Médicos de Mato Grosso do Sul, Marcelo Santana, afirma que não há greve formal, mas confirma que médicos vinculados a empresas prestadoras de serviço deixaram de atuar devido à falta de pagamento. De acordo com o sindicato, profissionais de cerca de 12 especialidades são afetados, como anestesiologia, ortopedia e cirurgia pediátrica.
“O problema é crônico e reflete falhas graves de gestão. Os contratos são firmados diretamente com a Santa Casa, que é responsável pelos pagamentos. A inadimplência compromete toda a cadeia de funcionamento do hospital e coloca pacientes em risco”, afirmou Santana.
Dados históricos mostram a dimensão do problema. A Santa Casa passou por duas grandes intervenções administrativas, em 2005 e 2013, com participação do Governo do Estado e da Prefeitura de Campo Grande. Nesse período, a dívida da instituição saltou de cerca de R$ 37 milhões para aproximadamente R$ 750 milhões, resultado de déficits acumulados ao longo dos anos.
O sindicato informa que já acionou o Ministério Público e que há tentativas judiciais de garantir a regularização dos pagamentos, que somam milhões de reais. Apesar de acordos firmados para quitação de valores entre janeiro e março deste ano, os repasses ainda não foram efetivados.
Diante do agravamento da situação, o presidente do sindicato avalia que uma nova intervenção administrativa pode voltar a ser discutida, caso a insolvência persista. Para ele, além de novos modelos de contratualização, é fundamental a realização de auditorias externas para garantir transparência no uso dos recursos públicos.
Enquanto isso, pacientes do SUS seguem enfrentando filas, adiamentos e a suspensão de cirurgias eletivas. A Santa Casa é um dos principais hospitais de Mato Grosso do Sul e atende grande parte da população que depende exclusivamente da rede pública de saúde.









