A energia solar em comunidade ribeirinha começa a transformar a realidade de famílias que vivem da pesca na Amazônia. Um projeto inovador implantado na comunidade de Santa Helena do Inglês, em Iranduba, viabilizou a instalação de uma fábrica de gelo movida a energia limpa, reduzindo custos e fortalecendo a sustentabilidade local.
Batizada de Gelo Caboclo, a iniciativa tem capacidade para produzir até uma tonelada de gelo por dia e armazenar até 20 toneladas. O sistema funciona por meio de placas fotovoltaicas e baterias de lítio, garantindo produção contínua mesmo em locais com instabilidade no fornecimento de energia elétrica.
Antes da instalação da estrutura, os pescadores da região enfrentavam longas viagens até Manaus para comprar gelo. O trajeto, que podia durar até cinco horas de barco, aumentava os custos com combustível e gerava prejuízos, já que parte do produto derretia no caminho. Em muitos casos, era necessário comprar mais gelo do que o necessário para evitar perdas durante a pesca.
Com a nova fábrica, a dinâmica mudou. Agora, os pescadores podem adquirir o gelo conforme a necessidade, reduzindo desperdícios e melhorando a conservação do pescado. A iniciativa beneficia diretamente mais de 30 famílias e também impacta outras atividades econômicas locais, como o turismo e a agricultura familiar.
O projeto foi desenvolvido pela Fundação Amazônia Sustentável em parceria com o Instituto de Conservação e Desenvolvimento Sustentável da Amazônia, além de contar com investimentos da iniciativa privada. Ao todo, foram aplicados cerca de R$ 1,5 milhão em recursos voltados à pesquisa, inovação e infraestrutura.
Além do impacto econômico, a fábrica contribui para a redução das emissões de gases de efeito estufa, ao diminuir a necessidade de deslocamentos frequentes de embarcações movidas a combustíveis fósseis. O uso de energia limpa também garante maior segurança energética para a comunidade, que historicamente enfrenta dificuldades no acesso à eletricidade.
A proposta é que o modelo seja replicado em outras regiões da Amazônia, ampliando o uso de soluções sustentáveis para geração de renda e melhoria da qualidade de vida em comunidades ribeirinhas.
Com informações de Agência Brasil









