Alagamentos e enxurradas quase triplicam em Campo Grande, aponta Cemaden
Campo Grande teve um aumento expressivo no número de ocorrências hidrológicas em 2025. Levantamento do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden) mostra que a Capital concentrou 14 dos 20 eventos registrados em Mato Grosso do Sul no último ano. Em 2024, foram apenas sete ocorrências em todo o Estado, sendo cinco em Campo Grande, o que representa um crescimento de aproximadamente 180%.
De acordo com o balanço anual, todos os episódios registrados em Mato Grosso do Sul foram classificados como de pequeno porte e estão relacionados à insuficiência da rede de drenagem, situação que provoca transtornos no trânsito e prejuízos a residências e comércios.
No ano passado, além da Capital, houve registros em Corumbá e Ivinhema. Em Campo Grande, os casos se limitaram a uma inundação e quatro enxurradas, todas entre janeiro e abril. Já em 2025, o cenário mudou: foram contabilizados 12 alagamentos e duas enxurradas somente no município, consolidando a Capital como o principal ponto de impacto hidrológico no Estado.
Novembro liderou o número de ocorrências, com seis registros, seguido por dezembro, com dois. Outros municípios também apareceram no levantamento de 2025, como Corumbá e Coxim, com dois alagamentos cada, e Aquidauana, com um caso. Ponta Porã teve um deslizamento em abril, o único evento de origem geológica registrado no período.
Segundo a análise técnica do Cemaden, os dados indicam concentração de eventos em curtos intervalos de tempo, característica de chuvas intensas com resposta rápida em áreas urbanas. Campo Grande se destaca ainda pela alta densidade populacional, maior exposição urbana e capacidade de registro das ocorrências, fatores que ampliam a visibilidade estatística dos eventos extremos.
O aumento também aparece no número de alertas meteorológicos. Na Capital, os avisos emitidos pelo Cemaden passaram de nove em 2024 para 17 em 2025, todos relacionados a riscos hidrológicos, em sua maioria de nível moderado, associados a chuvas intensas e persistentes, principalmente entre janeiro e março.
Em todo o Estado, os alertas subiram de 18 para 23 no comparativo anual. Enquanto em 2024 os avisos se concentravam em poucos municípios, em 2025 o monitoramento passou a abranger um número maior de cidades, indicando a ampliação territorial dos episódios acompanhados.
Atualmente, o Cemaden monitora 12 municípios de Mato Grosso do Sul, reforçando a necessidade de ações preventivas e de planejamento urbano diante da tendência de aumento das ocorrências hidrológicas no Estado e, especialmente, em Campo Grande.









