O Reino Unido anunciou a intenção de investir 400 milhões de libras no Fundo Florestas Tropicais para Sempre (TFFF), iniciativa lançada pelo Brasil durante a 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP30), realizada em novembro de 2025, em Belém. O anúncio representa um novo compromisso internacional com a preservação das florestas tropicais e o enfrentamento das mudanças climáticas.
O investimento britânico será realizado na forma de empréstimo, e não de doação. A participação ainda depende da conclusão da estrutura de governança do fundo, das regras operacionais, de processos de análise e de outras condições estabelecidas pelo governo do Reino Unido.
Segundo o governo britânico, a escolha pelo modelo de empréstimo tem como objetivo ampliar o volume de recursos disponíveis para o financiamento climático sem aumentar o custo para os contribuintes. A decisão também está relacionada a uma nova estratégia de financiamento climático do país, que pretende aumentar a atuação como investidor, em vez de apenas como doador.
Como funciona o Fundo Florestas Tropicais
O TFFF foi criado com a proposta de oferecer uma nova forma de financiamento para países que preservam suas florestas tropicais. Pelo mecanismo, os países que conseguirem manter suas florestas de pé e reduzir o desmatamento poderão receber recursos financeiros como recompensa pelos resultados obtidos.
O pagamento, no entanto, não ocorre automaticamente. Os níveis de conservação precisam ser verificados por meio de imagens de satélite, que serão utilizadas para confirmar se os índices de desmatamento permanecem abaixo dos limites previamente estabelecidos.
O fundo também prevê a participação direta de povos indígenas e comunidades tradicionais, reconhecendo o papel dessas populações na proteção das florestas tropicais. A proposta estabelece que pelo menos 20% dos pagamentos nacionais sejam destinados a essas populações.
Reino Unido pretende participar da supervisão
Além do aporte financeiro, o governo do Reino Unido pretende participar dos mecanismos de supervisão do fundo. A decisão final sobre o empréstimo depende ainda da definição de pontos importantes, como o tamanho definitivo do TFFF, os mecanismos de crédito, a estrutura financeira e as condições do financiamento.
No modelo previsto para o fundo, investidores que adquirirem títulos emitidos pelo TFFF receberão juros fixos e estáveis. A estrutura busca criar uma fonte de recursos de longo prazo para financiar ações de conservação das florestas tropicais.
A expectativa é que o compromisso anunciado pelo Reino Unido ajude a atrair novos países para a iniciativa. O objetivo é ampliar o número de participantes e aumentar a capacidade financeira do fundo para apoiar nações que mantêm grandes áreas de florestas tropicais preservadas.
Para o diretor-executivo do WWF-Brasil, Mauricio Voivodic, a adesão britânica ocorre em um momento importante para o fortalecimento da proposta. Segundo ele, o compromisso contribui para uma mudança na forma como a conservação das florestas é financiada internacionalmente, com maior valorização das populações responsáveis pela proteção desses territórios.
A expectativa também é que o anúncio britânico estimule outros governos a aderirem ao mecanismo e ajude o Fundo Florestas Tropicais para Sempre a alcançar uma escala maior diante dos desafios provocados pelo desmatamento e pelas mudanças climáticas.









