SUS amplia preparação para possíveis impactos do El Niño no Brasil

(Imagem: Magnific)

Ministério da Saúde articula planos estaduais e prepara ações para enfrentar eventos como calor extremo, secas, queimadas, enchentes e aumento de doenças

O Sistema Único de Saúde (SUS) está reforçando a preparação para os possíveis impactos do El Niño entre 2026 e 2027. O Ministério da Saúde mobilizou gestores de todo o país para elaborar estratégias adaptadas às características e aos níveis de vulnerabilidade de cada região.

O fenômeno pode ganhar intensidade nos próximos meses e provocar diferentes efeitos sobre o clima brasileiro. No Norte e no Centro-Oeste, a atenção está voltada principalmente para estiagens, redução da disponibilidade de água e queimadas. No Nordeste, o calor intenso e a seca estão entre as principais preocupações. Já no Sudeste, o cenário pode combinar ondas de calor e temporais, enquanto o Sul deve ter atenção redobrada para chuvas volumosas, enchentes e deslizamentos.

Dentro desse planejamento, os estados trabalham na elaboração de planos de enfrentamento que devem organizar medidas de prevenção, atendimento e continuidade dos serviços de saúde durante situações de emergência.

Entre as ações previstas estão o monitoramento de riscos, a preparação de estoques de medicamentos e insumos e a possibilidade de mobilização da Força Nacional do SUS para regiões atingidas por eventos extremos. Bases regionais também devem facilitar o deslocamento de equipes em situações de emergência.

A estratégia inclui ainda o acompanhamento de doenças que podem se intensificar com alterações no clima. Sistemas de vigilância serão utilizados para identificar possíveis surtos e acompanhar problemas relacionados ao calor e à qualidade do ar, além de doenças transmitidas por mosquitos, como dengue, zika e chikungunya.

A preparação não se limita ao setor de saúde. O governo federal também vem ampliando a integração com Defesa Civil, estados e municípios para melhorar a emissão de alertas e a resposta a desastres.

Para reforçar a prevenção, o governo ampliou a estrutura de monitoramento meteorológico. O número de estações do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) na região Sul, por exemplo, passou de quatro em 2023 para 156 em 2026, com previsão de chegar a 161 no próximo ano. O Cemaden também ampliou a presença de equipamentos de monitoramento, alcançando 267 municípios na região em 2026.

Além das medidas emergenciais, o Ministério da Saúde mantém uma estratégia de adaptação de longo prazo. O AdaptaSUS reúne metas e ações previstas até 2035 para aumentar a capacidade de hospitais, unidades básicas e demais serviços diante dos efeitos das mudanças climáticas.

A preparação busca reduzir os impactos sobre a população e evitar que eventos extremos comprometam o próprio funcionamento da rede pública, seja por falta de água e energia, dificuldades de acesso às unidades ou interrupções no fornecimento de medicamentos.

Com o trabalho conjunto entre União, estados e municípios, a expectativa é antecipar riscos e definir respostas antes que os efeitos mais severos do El Niño atinjam cada território.

Assista a Blink ao vivo.

Compartilhe o texto: