Brasileiros que vivem, trabalham ou mantêm negócios no Paraguai foram surpreendidos pelo bloqueio de contas do Ueno Bank, instituição financeira digital que passou por intervenção do Banco Central paraguaio. A situação preocupa especialmente moradores da região de fronteira entre Ponta Porã, em Mato Grosso do Sul, e Pedro Juan Caballero, no país vizinho.
O banco ganhou espaço entre brasileiros pela facilidade para abrir contas e pela possibilidade de realizar pagamentos por Pix, serviço que passou a oferecer em dezembro de 2025. Com isso, também atraiu clientes que moram no Brasil, mas possuem imóveis, compromissos financeiros ou atividades comerciais no Paraguai.
O Ueno Bank tinha aproximadamente 2,9 milhões de clientes em um país com cerca de 6,1 milhões de habitantes. A instituição se tornou uma das principais plataformas financeiras digitais do Paraguai, atendendo pessoas físicas, comerciantes e empresas.
A intervenção foi determinada pelo Banco Central após a identificação de problemas de solvência. Segundo os reguladores, o índice da instituição caiu para menos da metade do mínimo exigido pela legislação.
Com a medida, as operações foram suspensas e os clientes ficaram temporariamente sem acesso às contas e aos valores depositados.
O problema também atingiu brasileiros que se mudaram para o Paraguai em busca de oportunidades de trabalho, estudo e negócios. Há relatos de comerciantes que utilizavam o banco para receber pagamentos de clientes e movimentar o dinheiro das empresas.
A facilidade de abertura de contas fez com que o Ueno fosse utilizado por estudantes, pequenos comerciantes, produtores rurais e investidores brasileiros. Segundo estimativas do Ministério das Relações Exteriores citadas pela BBC News Brasil, aproximadamente 270 mil brasileiros viviam no Paraguai em 2025.
A presença brasileira também aparece nos dados de regularização migratória. Entre janeiro e setembro de 2026, o Paraguai recebeu 49.538 solicitações de residência. De acordo com informações da Direção Nacional de Migrações citadas pela imprensa paraguaia, cerca de 95% dos pedidos atendidos em ações recentes eram de brasileiros.
A crise bancária ocorre justamente em um momento de aumento da procura de brasileiros pelo país vizinho.
Autoridades prometem ressarcimento dos clientes
O Banco Central do Paraguai informou que os depósitos contam com proteção do Fundo de Garantia de Depósitos, dentro dos limites estabelecidos pela legislação. A cobertura chega a 228 milhões de guaranis por pessoa, valor equivalente a aproximadamente R$ 211 mil, conforme a cotação utilizada nas reportagens.
As autoridades também anunciaram medidas para antecipar pagamentos aos correntistas afetados. No entanto, a situação de quem possui valores acima do limite de garantia ainda exige atenção e análise dos procedimentos de recuperação.
Além do impacto financeiro, o caso provocou protestos e uma crise política no Paraguai. O presidente Santiago Peña anunciou sua renúncia em meio aos questionamentos sobre a relação de seu grupo político com a instituição financeira.
Para os brasileiros que vivem na fronteira, porém, a preocupação mais imediata é conseguir movimentar o próprio dinheiro e manter as despesas pessoais e comerciais em dia.









