Agroecologia reúne ciência e saberes tradicionais no enfrentamento à crise climática em Campo Grande

(Imagem: Canva)

Em entrevista à Blink 102, a professora Vânia Pimentel destacou o papel da agricultura familiar, das políticas públicas e da produção sustentável para proteger o meio ambiente e garantir alimentos saudáveis.

A crise climática e seus efeitos sobre a produção de alimentos estão entre os principais temas do Agroecol 2026, realizado na Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS), em Campo Grande. Em entrevista à Blink 102, a professora Vânia Pimentel, vice-presidente da Associação Brasileira de Agroecologia na Região Centro-Oeste, defendeu a aproximação entre ciência, conhecimentos tradicionais e práticas agrícolas sustentáveis como parte das respostas aos desafios ambientais.

Segundo a pesquisadora, períodos de seca mais prolongados, ondas de calor e episódios de chuvas intensas já demonstram os impactos das mudanças climáticas. Ela ressaltou que os efeitos atingem não apenas as pessoas, mas também a biodiversidade e organismos essenciais para o equilíbrio dos ecossistemas. Para Vânia, a agroecologia representa uma alternativa que combina prática, ciência e mobilização social. O conceito valoriza conhecimentos construídos por povos originários e comunidades tradicionais, ao mesmo tempo em que utiliza pesquisas para desenvolver formas de produção que respeitem os ciclos da natureza.

A professora também destacou que a agroecologia vai além do uso de técnicas agrícolas com menor impacto ambiental. A proposta envolve questões sociais e econômicas, como o acesso a alimentos saudáveis, a valorização da agricultura familiar e a construção de mercados que aproximem produtores e consumidores. Entre as iniciativas que contribuem para esse modelo estão os sistemas agroflorestais, a restauração produtiva do Cerrado, o uso de bioinsumos e as práticas da agricultura orgânica. “A gente come alimento, que é o que os agricultores familiares e as comunidades tradicionais produzem”, afirmou.

Outro ponto abordado na entrevista foi a importância das políticas públicas para fortalecer a produção familiar e ampliar o acesso da população a uma alimentação de qualidade. Vânia citou a Política Nacional de Agroecologia e Produção Orgânica e programas como o de Aquisição de Alimentos (PAA) e o de Alimentação Escolar (PNAE), que aproximam agricultores familiares das instituições públicas de ensino. Para ela, essas iniciativas também ajudam a combater problemas relacionados à má alimentação e ao consumo excessivo de produtos ultraprocessados.

Com programação até sábado (7), o Agroecol 2026 reúne agricultores, pesquisadores, estudantes, representantes de comunidades tradicionais e movimentos sociais. O encontro conta com palestras, mesas-redondas, oficinas, apresentação de trabalhos científicos, atividades culturais e visitas técnicas. A Feira da Sociobiodiversidade e da Agricultura Familiar também integra o evento, com exposição e comercialização de produtos locais. A programação busca aproximar diferentes experiências e mostrar como a produção sustentável pode contribuir para enfrentar a crise climática.

Para assistir a entrevista completa, acesse nosso canal no Youtube

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