Pesquisa aponta que mais de um quarto das adolescentes já sofreu assédio sexual no país

Pesquisa aponta que mais de um quarto das adolescentes já sofreu assédio sexual no país
Foto: Canva

Levantamento nacional indica que a violência sexual atinge parcela relevante dos estudantes brasileiros entre 13 e 17 anos. Dados mostram que 26% das meninas nessa faixa etária já vivenciaram algum tipo de assédio sexual, percentual superior ao registrado entre os meninos, que chega a 10,9%. No total, 18,5% dos adolescentes relataram situações como toque, beijo ou exposição corporal sem consentimento.

O estudo, realizado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística em parceria com o Ministério da Saúde e o Ministério da Educação, ouviu alunos do 7º ano do ensino fundamental ao 3º ano do ensino médio, em escolas públicas e privadas. A pesquisa reúne indicadores sobre saúde, comportamento, violência e ambiente escolar.

Na comparação com a edição anterior, houve crescimento nos registros de assédio, com aumento mais intenso entre meninas e estudantes da rede pública. A incidência também varia conforme a idade, com índices mais altos entre jovens de 16 e 17 anos. Entre os adolescentes que relataram relação sexual forçada, grande parte afirma que o episódio ocorreu ainda no início da adolescência.

Além da violência sexual, o levantamento traz dados sobre bullying. Cerca de 27,2% dos estudantes disseram ter sido vítimas recorrentes de humilhações ou provocações recentes. A proporção é maior entre meninas, enquanto os meninos aparecem com maior frequência entre aqueles que admitem praticar esse tipo de comportamento.

O ambiente digital também aparece como espaço de agressões. O chamado cyberbullying atinge 12,7% dos adolescentes, com maior incidência entre meninas e alunos da rede pública. A prática é admitida por 10% dos entrevistados, mantendo padrão semelhante ao observado no bullying presencial.

O estudo ainda aborda hábitos e saúde. Parte significativa dos estudantes passa mais de duas horas por dia em frente a telas, enquanto a maioria é classificada como insuficientemente ativa do ponto de vista físico. Mesmo com ampla oferta de aulas de educação física, o acesso a equipamentos adequados varia entre as redes de ensino.

A pesquisa inclui ainda dados sobre segurança e condições sociais. Uma parcela dos estudantes deixou de frequentar a escola por medo no trajeto, situação mais comum entre alunos da rede pública. O levantamento também aponta faltas relacionadas à ausência de itens básicos de higiene, como absorventes.

Indicadores de saúde mental mostram mudanças na percepção dos jovens. Houve redução na satisfação com a própria imagem corporal e aumento de sentimentos como preocupação frequente e percepção de falta de apoio, além de relatos de solidão que crescem com a idade.

O conjunto de informações permite observar diferentes aspectos da vida dos adolescentes brasileiros e as condições em que estão inseridos dentro e fora do ambiente escolar.

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