Outros 14 municípios também passaram a registrar índice epidêmico da doença no Estado
A reserva indígena de Dourados entrou, em março, na classificação de epidemia de chikungunya, após superar a marca de 300 casos por 100 mil habitantes. Dados do Ministério da Saúde indicam que, desde então, outros 14 municípios sul-mato-grossenses passaram a registrar o mesmo nível de incidência.
De acordo com a prefeitura, o avanço da doença nas aldeias está associado à ausência de abastecimento regular de água. Com a distribuição de caixas d’água para armazenamento por meio de caminhões-pipa, muitos recipientes permaneceram abertos, criando condições ideais para a reprodução do Aedes aegypti.
A administração municipal informou que, em 2025, mais de duas mil caixas foram entregues às famílias da reserva, onde vivem cerca de 21 mil pessoas. Sem cobertura adequada, esses reservatórios passaram a funcionar como criadouros do mosquito, contribuindo para a disseminação do vírus.
Além do armazenamento inadequado, fatores estruturais também influenciam o cenário. As aldeias concentram população superior à de muitos municípios do Estado, enquanto serviços como rede de água tratada, coleta de esgoto e pavimentação seguem ausentes, o que amplia os riscos sanitários.
Entre os municípios que também atingiram nível epidêmico estão Fátima do Sul, Jardim, Sete Quedas, Vicentina, Selvíria, Paraíso das Águas, Guia Lopes da Laguna, Bonito, Corumbá, Antônio João, Água Clara, Amambai, Figueirão e Jateí. A Secretaria Estadual de Saúde relaciona o avanço da doença a fatores como altas temperaturas, período chuvoso e baixa imunidade da população ao vírus.
Diante do aumento de casos, o Governo Federal reconheceu situação de emergência em saúde pública em Dourados. A medida permite reforço nas ações de controle, com apoio dos governos estadual e federal, além de ampliar a capacidade de resposta do município.
A principal forma de prevenção continua sendo a eliminação de água parada. O Ministério da Saúde orienta manter recipientes fechados, evitar acúmulo de água em objetos expostos e adotar medidas de proteção individual, como uso de repelentes e instalação de telas e mosquiteiros.









