O crescimento das apostas esportivas online tem provocado efeitos que vão muito além do entretenimento. Segundo o economista Eugênio Pavão, professor da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS), o avanço das chamadas ‘bets’ está comprometendo a renda de milhares de famílias brasileiras, reduzindo o consumo e alimentando um ciclo de endividamento que já preocupa especialistas.
Durante entrevista à série especial “Um Cassino em Cada Bolso”, da Blink 102, Pavão explicou que a popularização das plataformas de apostas ganhou força durante a pandemia e se intensificou com a chegada do Pix, tornando as transações praticamente instantâneas. Na avaliação do economista, muitas pessoas passaram a enxergar as apostas como uma alternativa para resolver dificuldades financeiras, mas acabam perdendo dinheiro e recorrendo a empréstimos, cartão de crédito e outras formas de crédito para tentar recuperar as perdas.
O professor destaca que o impacto é sentido principalmente entre as famílias de menor renda, que deixam de gastar com alimentação, roupas e outras necessidades básicas para continuar apostando. Dados citados durante a entrevista mostram que milhões de beneficiários do Bolsa Família movimentaram bilhões de reais em plataformas de apostas, evidenciando como o problema atinge públicos mais vulneráveis.
Outro ponto levantado por Pavão é que grande parte dos recursos movimentados pelas bets deixa a economia brasileira. Como muitas empresas têm sede no exterior, parte significativa dos lucros é remetida para outros países, reduzindo a circulação de dinheiro no comércio nacional e afetando setores como o varejo.
Além das consequências econômicas, o especialista ressalta que o vício em apostas já produz reflexos na saúde pública. Casos de compulsão, depressão, superendividamento e até suicídio têm sido associados ao problema. Para ele, o país precisa avançar na regulamentação do setor, equilibrando a atividade econômica com mecanismos capazes de reduzir os danos sociais provocados pelas apostas online.
Segundo Pavão, o desafio não é proibir completamente as plataformas, mas estabelecer regras mais rígidas para publicidade, funcionamento e tributação das empresas. Na avaliação do economista, o objetivo deve ser reduzir o incentivo ao jogo compulsivo e impedir que a promessa de ganhos rápidos continue atraindo pessoas em situação de vulnerabilidade financeira.
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