Serviços ficam estáveis em julho e reforçam expectativa de desaceleração da economia

(Imagem: Magnific)

Setor acumula alta de 1,9% no ano e 2,4% em 12 meses; economistas avaliam que atividade mais fraca pode favorecer novos cortes na Selic

A atividade do setor de serviços ficou estável em julho, com variação de 0% em relação ao mês anterior, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O resultado reforça a percepção de perda gradual de ritmo da economia brasileira e pode contribuir para que o Banco Central avance no processo de redução da taxa básica de juros, atualmente em 14% ao ano.

Apesar da estabilidade no mês, o setor ainda registra crescimento de 1,9% no acumulado de 2026 e de 2,4% nos últimos 12 meses. O resultado anualizado, porém, representa uma desaceleração em relação aos 2,6% registrados até junho e é o menor crescimento em 12 meses desde setembro de 2024.

Entre as cinco grandes atividades pesquisadas pelo IBGE, quatro apresentaram avanço em julho. Os serviços prestados às famílias cresceram 0,5%, enquanto os serviços profissionais, administrativos e complementares tiveram alta de 0,6%. O segmento de transportes, armazenagem e correio avançou 0,4%, e outras atividades de serviços subiram 0,7%.

Na direção contrária, os serviços de informação e comunicação recuaram 2,5% no mês. O segmento vinha sendo um dos principais motores da expansão do setor e, segundo especialistas, o resultado de julho representa uma interrupção no ritmo de crescimento observado anteriormente.

Mesmo com a queda, os serviços de informação e comunicação ainda acumulam resultado positivo no ano, principalmente por causa da área de tecnologia da informação. Para economistas, a relevância desse segmento mostra que parte importante do desempenho dos serviços está concentrada em atividades menos dependentes do crédito e dos juros.

Atividade mais fraca pode favorecer corte de juros

A estabilidade registrada em julho foi interpretada por analistas como mais um sinal de moderação da economia. Com juros elevados, crédito mais caro e menor força do consumo, a expectativa é de que o ritmo de crescimento permaneça mais contido nos próximos meses.

Para economistas consultados, esse cenário pode abrir espaço para que o Comitê de Política Monetária (Copom) continue reduzindo a Selic. Há projeções de novos cortes ainda em 2026, embora o ritmo dependa principalmente do comportamento da inflação.

Um dos principais pontos de atenção está justamente nos preços dos serviços. Mesmo com a desaceleração da atividade, especialistas destacam que esse segmento costuma apresentar maior resistência à queda da inflação.

A diferença entre faturamento e volume de serviços também chama atenção. Segundo uma das análises, enquanto o volume avançou 0,9% em 12 meses, a receita nominal cresceu 7,1%. Isso indica que uma parcela significativa do aumento do faturamento está relacionada aos preços, e não necessariamente à expansão da quantidade de serviços prestados.

Para o Banco Central, esse comportamento é relevante porque uma inflação de serviços mais persistente pode dificultar uma redução mais acelerada dos juros.

Terceiro trimestre exige cautela

O desempenho de julho também aumenta a cautela em relação ao resultado do Produto Interno Bruto (PIB) no terceiro trimestre. Os serviços têm grande peso na economia brasileira e, por isso, uma perda de dinamismo pode influenciar o desempenho geral da atividade.

Os especialistas, porém, avaliam que ainda não há elementos suficientes para afirmar que o país entrará em retração. O setor continua operando próximo do nível recorde registrado em outubro de 2025 e mantém crescimento no acumulado do ano.

A avaliação predominante é de uma economia crescendo em ritmo mais lento, pressionada principalmente pelos juros elevados e pelo custo do crédito. Para 2026, algumas projeções citadas pelos analistas apontam para crescimento do PIB próximo de 1,7%.

*Com informações de Agência Brasil

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