A internet faz parte da rotina de crianças e adolescentes, mas também pode ser utilizada por criminosos para aliciar, manipular, ameaçar e explorar vítimas. O alerta foi feito pela delegada Nelly Macedo, da Delegacia Especializada de Proteção à Criança e ao Adolescente (DPCA), durante entrevista à Blink 102.
Segundo a delegada, os casos que chegam à polícia vão muito além da pornografia infantil. Entre as ocorrências estão abusos sexuais, instigação ao suicídio, automutilação, maus-tratos contra animais e outras formas de violência praticadas ou incentivadas no ambiente digital.
Aliciamento começa com a conquista da confiança
De acordo com Nelly, o criminoso geralmente não começa com ameaças. Ele utiliza técnicas de engenharia social para conquistar a confiança da vítima, podendo se passar por outra criança ou adolescente e utilizar perfis falsos.
Depois de estabelecer uma relação, passa a obter informações sobre a vítima, familiares, escola e rotina. Esses dados podem ser usados posteriormente em chantagens e ameaças, inclusive após o criminoso conseguir imagens íntimas. “Eles vão ganhando a confiança da vítima, vão conhecendo a vítima. Não chegam com uma ameaça. Eles se fazem de amigos, conquistam a confiança e, a partir desses dados, começam as chantagens” explica a delegada.
A delegada também chamou atenção para o uso de tecnologias como a inteligência artificial, que pode facilitar a criação de imagens, alteração de vozes e falsificação de identidades.
Pais devem acompanhar o uso da internet
Para Nelly, o fato de a criança estar dentro de casa não significa que esteja protegida. Segundo ela, os pais precisam acompanhar o que os filhos acessam e, quando necessário, verificar o conteúdo dos aparelhos. Ferramentas de controle parental podem ajudar, mas não substituem a supervisão dos responsáveis. A delegada destacou que existem maneiras de burlar esses mecanismos e que criminosos também utilizam técnicas para contornar as restrições. Além da supervisão, ela reforça a importância de manter uma comunicação aberta com os filhos.
Isolamento, redução da convivência com familiares e amigos e a necessidade constante de permanecer no celular estão entre os comportamentos que devem chamar a atenção dos responsáveis. A orientação é observar por que a criança ou o adolescente está cada vez mais preso ao aparelho e criar um ambiente em que ele se sinta seguro para contar caso esteja sendo ameaçado ou abordado por alguém.
O que fazer diante de uma situação suspeita?
Caso os pais encontrem mensagens de teor sexual, ameaças, pedidos de segredo ou outros contatos suspeitos, a recomendação é não apagar as conversas ou os registros. Segundo a delegada, essas informações podem ser fundamentais para identificar os autores. A orientação é preservar os dados e procurar a delegacia o quanto antes, já que criminosos podem mudar de plataforma, trocar nomes de usuário ou encerrar contas.
Ao finalizar a entrevista, Neli reforçou que a prevenção começa com a proximidade entre pais e filhos. “Não deixem de olhar seus filhos de perto, não deixem de observar o que eles estão fazendo, manter uma comunicação aberta para que eles tenham a liberdade de conversar sobre qualquer tema”.
A entrevista faz parte do especial “Internet Não É Terra de Ninguém”, da Blink 102, que aborda os riscos do ambiente digital e a proteção de crianças e adolescentes e para acompanhar a entrevista completa acesse nosso canal no Youtube.









