Boletim Focus aponta IPCA de 5% e crescimento de 1,93% para a economia brasileira neste ano
O mercado financeiro revisou para baixo a expectativa de inflação para 2026 e, ao mesmo tempo, elevou ligeiramente a previsão de crescimento da economia brasileira. As novas estimativas foram divulgadas pelo Banco Central (BC) nesta terça-feira (8), por meio do Boletim Focus, que reúne projeções de mais de 100 instituições financeiras.
Para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), considerado a inflação oficial do país, a previsão passou de 5,01% para 5% ao fim deste ano. Apesar da redução, o percentual continua acima do teto estabelecido pelo sistema de metas de inflação, que é de 4,5%.
A meta definida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN) tem como centro 3%, com margem de tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo. Dessa forma, uma inflação entre 1,5% e 4,5% é considerada dentro do intervalo previsto.
O cenário recente, porém, mostra algum alívio na evolução dos preços. Em julho, o IPCA registrou alta de apenas 0,07%, influenciado principalmente pela queda nos preços dos alimentos. Com isso, a inflação acumulada em 12 meses ficou em 4,44%. O resultado de agosto será divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) na sexta-feira (11).
Para os próximos anos, o mercado praticamente manteve suas projeções. A estimativa para o IPCA de 2027 passou de 4,28% para 4,29%, enquanto as previsões para 2028 e 2029 permanecem em 3,8% e 3,5%, respectivamente.
PIB tem pequena melhora na projeção
Na avaliação sobre a atividade econômica, os analistas consultados pelo Banco Central elevaram de 1,92% para 1,93% a previsão de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) em 2026.
Mesmo com o ajuste positivo, a expectativa representa uma desaceleração em relação ao desempenho registrado no ano passado. Em 2025, a economia brasileira avançou 2,3%, segundo o IBGE.
No segundo trimestre deste ano, o PIB cresceu 0,5% na comparação com os três primeiros meses de 2026. Considerando os 12 meses encerrados no período, a expansão acumulada foi de 1,9%. Para 2027, o mercado manteve a estimativa de crescimento em 1,5%. Para 2028, a previsão é de avanço de 1,96%, enquanto em 2029 a expectativa chega a 2%.
Juros devem continuar em trajetória de queda
As instituições financeiras também mantiveram a perspectiva de redução da taxa básica de juros. Atualmente, a Selic está em 14% ao ano, após quatro cortes consecutivos promovidos pelo Comitê de Política Monetária (Copom).
Para o encerramento de 2026, o mercado continua projetando a taxa em 13,75% ao ano. A estimativa indica a possibilidade de mais uma redução até o fim do ano.
Para 2027, a previsão permanece em 12% ao ano. Já para 2028, os analistas esperam que a Selic chegue a 10,5%.
A taxa de juros é o principal instrumento utilizado pelo Banco Central para controlar a inflação. Quando permanece elevada, tende a encarecer o crédito e reduzir o consumo e os investimentos. Em contrapartida, cortes podem estimular a atividade econômica, embora também possam aumentar as pressões sobre os preços.
A próxima reunião do Copom está marcada para os dias 15 e 16 de setembro.
Dólar permanece em R$ 5,20
No mercado cambial, não houve alteração nas expectativas. O Boletim Focus manteve em R$ 5,20 a previsão para a cotação do dólar no fim de 2026.
Para o encerramento de 2027, a projeção também permaneceu em R$ 5,30.
As novas estimativas do mercado ocorrem em um cenário de atenção às condições internacionais, especialmente diante das oscilações nos preços do petróleo e de seus possíveis efeitos sobre a inflação brasileira.
*Com informações de Agência Brasil









