Os agrotóxicos proibidos na União Europeia continuam entre os mais utilizados no Brasil. Um levantamento apresentado durante a Conferência Nacional Livre de Saúde dos Trabalhadores e Trabalhadoras revelou que sete dos dez produtos mais vendidos no país não podem ser usados nos países da União Europeia por causa dos riscos à saúde humana e ao meio ambiente.
Segundo a pesquisadora Larissa Bombardi, da Universidade Livre de Bruxelas, essa situação caracteriza um “colonialismo químico”. Isso porque empresas europeias continuam exportando para o Brasil substâncias proibidas em seus próprios países devido à associação com câncer, malformações fetais, distúrbios hormonais e impactos ambientais.
Entre os dez agrotóxicos mais comercializados no Brasil em 2023 estão glifosato, mancozebe, 2,4-D, acefato, clorotalonil, atrazina, S-metolacloro, glufosinato, malationa e dibrometo de diquate. Desses, sete são classificados como agrotóxicos proibidos na União Europeia: mancozebe, 2,4-D, acefato, clorotalonil, atrazina, S-metolacloro e dibrometo de diquate.
A pesquisadora também destacou que o Brasil se tornou um dos maiores consumidores de pesticidas do mundo, enquanto diversos ingredientes ativos seguem em processo de reavaliação pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Entre eles estão clorpirifós, procimidona, epoxiconazol e tiofanato-metílico, que passam por análises sobre seus riscos à saúde e ao meio ambiente.
O estudo reforça que a proibição de determinados produtos na Europa não impede sua comercialização em outros países. Para os pesquisadores, ampliar a fiscalização, revisar registros e incentivar práticas agrícolas mais sustentáveis são medidas importantes para reduzir a exposição da população aos agrotóxicos proibidos na União Europeia e minimizar os impactos ambientais e sanitários.









