Uma análise da plataforma Trase em parceria com o Instituto Centro de Vida revelou que a maior parte do desmatamento ilegal no Brasil ocorreu sem autorização ambiental nos últimos 15 anos. O levantamento mostra que 86% da vegetação removida entre 2009 e 2024 nos biomas Amazônia e Cerrado não possuía licença válida para supressão vegetal.
Segundo os dados, o país perdeu cerca de 26,4 milhões de hectares de vegetação nativa no período analisado. Desse total, aproximadamente 22,8 milhões de hectares foram desmatados sem a Autorização para Supressão da Vegetação (ASV), documento obrigatório para a retirada legal da cobertura vegetal.
A situação mais crítica foi identificada na Amazônia. Dos 11,7 milhões de hectares desmatados no bioma, cerca de 96% ocorreram de forma irregular. O estudo aponta ainda que grande parte desse avanço ilegal está concentrada em municípios do Pará e de Rondônia.
No Cerrado, o cenário também preocupa. O levantamento mostra que 78% dos 14,7 milhões de hectares desmatados ocorreram sem autorização ambiental. Diferente da Amazônia, onde o problema aparece mais concentrado, no Cerrado a supressão irregular está espalhada por diversas regiões.
Os pesquisadores também identificaram diferenças na fiscalização ambiental. Na Amazônia, quase metade do desmatamento aconteceu em áreas já embargadas por órgãos de controle, indicando maior presença de ações de monitoramento. Já no Cerrado, o percentual é menor, o que sugere fragilidade na fiscalização.
O estudo busca auxiliar no monitoramento de cadeias produtivas ligadas ao avanço do desmatamento, como a pecuária e a produção de soja. Para os especialistas, os números reforçam a necessidade de ampliar o controle ambiental e fortalecer políticas de preservação.
Além do impacto ambiental, o desmatamento ilegal no Brasil também influencia acordos comerciais internacionais e aumenta a pressão sobre o país em relação às metas climáticas globais.
Com informação de ((o))eco









