Cada vez mais presentes na rotina das famílias, cães e gatos deixaram de ocupar apenas o espaço de animais de estimação e passaram a ser considerados parte da família. A chamada família multiespécie reflete essa mudança na relação entre humanos e pets, mas, segundo a médica veterinária, comportamentalista e nutricionista Luana Pinezzi, é preciso encontrar um equilíbrio entre oferecer carinho e respeitar as necessidades próprias de cada espécie.
Em entrevista à Blink 102, Luana explicou que tratar o animal como parte da família não significa esquecer que ele continua sendo um cão ou um gato. Para ela, cuidados com alimentação, saúde, higiene e bem-estar são fundamentais, mas devem levar em consideração as características e limitações do animal.
A preocupação está principalmente nos casos em que a humanização interfere no comportamento. A veterinária alerta que cães podem desenvolver problemas como ansiedade de separação, comportamentos compulsivos e outros sinais relacionados ao estresse. Em situações mais graves, pode ser necessário associar mudanças de manejo ao acompanhamento veterinário e, quando indicado, ao uso de medicamentos.
Entre os sinais que merecem atenção estão lambedura excessiva, animais que se escondem constantemente, agressividade ou comportamentos repetitivos, como correr de forma insistente atrás do próprio rabo. Nos gatos, alterações no uso da caixa de areia e o isolamento também podem indicar que algo não está bem.
Outro ponto destacado pela especialista é a adaptação dos pets às situações do cotidiano. Fogos de artifício, trovões, viagens, banho e tosa, mudanças de residência e a chegada de novas pessoas ou animais podem provocar medo ou estresse. Por isso, a recomendação é preparar gradualmente o animal para essas experiências e adaptar o ambiente às suas necessidades.
Em situações de maior estresse, além do manejo ambiental e comportamental, existem recursos que podem auxiliar. Um deles é o Anizen, da HomeoPet, citado como uma opção de suporte nesses momentos. A utilização, porém, deve ser feita com orientação de um médico veterinário, que poderá avaliar se o produto é adequado para cada animal.
Alimentação também exige cuidado
A tentativa de demonstrar carinho por meio da comida é outro comportamento comum entre os responsáveis pelos pets. Luana explica que alguns alimentos consumidos pelos humanos podem ser oferecidos aos animais, mas isso não significa que a alimentação da família possa simplesmente ser compartilhada com o cão ou gato.
Uma dieta caseira, quando escolhida, precisa ser preparada especificamente para o animal e de acordo com suas necessidades nutricionais. A veterinária também desmistificou a ideia de que alimentos oferecidos aos pets precisam ser consumidos crus. Segundo ela, o cozimento adequado é importante para reduzir riscos relacionados à presença de bactérias.
Algumas frutas e alimentos podem funcionar como petiscos, enquanto outros devem ser evitados. Entre os exemplos citados durante a entrevista, banana e ovo cozido podem ser oferecidos aos cães em determinadas situações, desde que sem temperos e sem exageros. Já alimentos como uva podem ser prejudiciais e não devem fazer parte da dieta.
Cães e gatos reagem de formas diferentes
A especialista também chama atenção para as diferenças entre as espécies. De acordo com Luana, os cães costumam apresentar de maneira mais evidente alterações comportamentais relacionadas à dependência e à ansiedade, enquanto os gatos tendem a demonstrar desconforto de outras formas, como isolamento e mudanças nos hábitos relacionados à caixa de areia.
A convivência entre crianças e animais, por outro lado, pode trazer benefícios quando existe orientação e responsabilidade. A presença de um pet pode ajudar a estimular nas crianças noções de cuidado, rotina e responsabilidade, desde que o animal não seja tratado como brinquedo.
Por isso, Luana defende que a decisão de levar um animal para casa deve ser tomada com responsabilidade. Vacinação, prevenção de parasitas, alimentação adequada, higiene, acompanhamento médico e atenção ao comportamento fazem parte dos cuidados necessários durante toda a vida do pet.
Mais do que oferecer carinho, a especialista resume que cuidar de um animal significa compreender suas necessidades e respeitar sua natureza.
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