Modelos climáticos apontam pico entre novembro e dezembro, com anomalia próxima de 4°C na temperatura do Pacífico Equatorial
O El Niño de 2026 pode alcançar uma intensidade sem precedentes nos próximos meses. Modelos climáticos analisados pela MetSul Meteorologia indicam que o fenômeno deve atingir seu pico entre novembro e dezembro, com anomalias de temperatura da superfície do mar próximas de 4°C na região do Niño 3.4, no Pacífico Equatorial.
O cenário chama atenção porque o fenômeno já apresenta intensidade excepcional. Segundo dados da Administração Nacional de Oceanos e Atmosfera (NOAA), dos Estados Unidos, a anomalia registrada no início de setembro chegou a 2,7°C pelo Índice Oceânico Niño (ONI), valor classificado como El Niño muito forte.
Pelo índice tradicional, anomalias iguais ou superiores a 2°C são associadas ao chamado Super El Niño. Para comparação, na primeira semana de setembro dos grandes episódios recentes, os valores eram de 1,6°C em 2023, 1,7°C em 2015, 2,1°C em 1997 e 0,6°C em 1982.
Aquecimento ocorre em ritmo acelerado
Além da intensidade, outro fator que preocupa os especialistas é a velocidade de evolução do fenômeno. O El Niño deste ano atingiu a marca de 2°C ainda na primeira semana de julho, algo que não havia ocorrido tão cedo nos principais episódios registrados nas últimas décadas.
No evento de 1982-1983, por exemplo, o índice só chegou a esse nível no fim de novembro. Em 1997-1998, o patamar foi alcançado em setembro, enquanto no episódio de 2015-2016 isso ocorreu apenas em meados daquele mês.
O atual aquecimento também se aproxima rapidamente dos maiores valores observados no Super El Niño de 2015-2016. Naquele episódio, a anomalia semanal chegou a 3°C em novembro de 2015.
Previsão aponta cenário fora do padrão
As projeções mais recentes dos modelos climáticos apresentam relativa concordância sobre a ocorrência do pico no fim de 2026. Parte das simulações indica novembro como o período de maior intensidade, enquanto outras apontam dezembro.
A mediana das projeções trabalha atualmente com uma anomalia próxima de 4°C na região do Niño 3.4. Caso o cenário se confirme, o valor ficaria muito acima do limite de 2°C usado para caracterizar um Super El Niño e superaria os maiores picos registrados nos principais episódios do século 20.
Pelo índice RONI, que considera também o aquecimento observado em outras áreas dos oceanos tropicais, a anomalia atual é de 1,8°C, classificada como El Niño forte.
Ainda que as projeções possam sofrer alterações até o fim do ano, a combinação entre a intensidade atual e a rapidez do aquecimento coloca o episódio de 2026-2027 em uma condição considerada excepcional pelos meteorologistas.









